Um áudio enviado por Roseli Machado Clementino a familiares mostra uma discussão entre ela e o companheiro Luciano Borges Vieira, de 42 anos. O diálogo mostra que o homem ameaçou matar a vítima.
Roseli tinha 32 anos e foi encontrada morta no banheiro da casa onde vivia com Luciano, na zona leste de Londrina, no norte do Paraná. Ele chegou a dizer à polícia que Roseli teve uma overdose, mas foi preso após um laudo apontar lesões no corpo dela. Entenda abaixo.
Na discussão, Luciano diz que Roseli vai morrer sendo agredida. Segundo familiares, o áudio da briga foi gravado por ela no fim do ano passado.
Luciano: "Você vai morrer que nem burro, na pancada. No pau."
Roseli: "Você acha que vai me bater? Como sempre?"
Luciano: "Não vou bater, não. Eu não vou bater em você mais não, minha filha. Tô te dando uma chance. Porque você vai morrer, viu? Fim de ano agora é propício pra matar as pessoas."
Roseli era natural de Faxinal, no norte do Paraná. Ela deixou três filhos com idades entre 3 e 8 anos. O corpo dela foi sepultado na manhã desta segunda-feira (12), em Londrina.
Luciano vai responder pelo crime de feminicídio e permanece preso. Durante o interrogatório, ele preferiu ficar em silêncio.
Segundo o sistema do Poder Judiciário, o suspeito ainda não possui advogado.
O inquérito deverá ser finalizado em 10 dias e o caso passará a ser investigado pela Delegacia da Mulher de Londrina.
O corpo de Roseli foi encontrado manhã de domingo (11). Luciano disse à Polícia Militar (PM-PR) que acordou e encontrou o corpo da esposa caído no banheiro por volta das 8h30. Ele alegou que a morte teria sido causada por uma overdose.
Contudo, segundo o delegado Magno Miranda, a Declaração de Óbito emitida pela Polícia Científica indicou que a morte de Roseli foi em decorrência de uma hemorragia interna e lesões encefálicas e abdominais compatíveis com ação contundente.
Miranda explicou que isso afastou a hipótese de morte natural ou por uso de entorpecentes.
Familiares da vítima também foram ouvidos e disseram que Luciano agredia e ameaçava Roseli e chegou a jurá-la de morte.
Uma testemunha ouvida pela polícia também relatou que foi a casa do casal durante a madrugada e ouviu Luciano confessar que agrediu Roseli no dia do crime.
"Então foi robustamente comprovado no auto de prisão em flagrante que esse indivíduo praticava sim agressões contra sua esposa", explicou o delegado.
Segundo o delegado, no ano passando foi registrado um caso de violência doméstica entre o casal. Na ocasião, Luciano usou um martelo para agredir Roseli.
À polícia, familiares disseram Roseli fez alguns pedidos de socorro nos últimos meses. Áudios foram enviados por ela a parentes e amigos entre os meses de outubro e dezembro de 2025.
"Eu vou embora, não aguento mais ficar aqui. Eu não aguento mais sofrer, amiga. Eu não tô aguentando nem respirar, acho que eu estou com tudo quebrado por dentro. A hora que eu chegar vou direto para o hospital. Eu não tô aguentando mais. Eu quero ir embora daqui hoje, amiga. Eu não aguento mais. Por favor, me ajuda. Hoje ainda, pelo amor de Deus. Tô implorando pra você, amiga. Se Deus quiser, eu vou mudar de vida sim. É o que eu mais quero na vida. Mudar", disse Roseli em um dos pedidos de ajuda.
Roseli chegou a sair de casa algumas vezes, mas retornou após pedidos de perdão de Luciano e pelos filhos.
Familiares disseram que o casal estava junto há 10 anos. Em outro pedido de ajuda, Roseli disse que não queria mais viver com Luciano.
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