Vitória democrata no Congresso dos EUA pode influenciar dólar e juros no Brasil

Foto: REUTERS/Umit Bektas

A conquista da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos pelo Partido Democrata representa um obstáculo para os planos do presidente Donald Trump e pode provocar reflexos na economia mundial, incluindo o Brasil.

Com o controle das duas Casas do Congresso, os democratas terão mais força para dificultar a aprovação de propostas do governo relacionadas a impostos, gastos públicos e políticas econômicas. A oposição também poderá ampliar a fiscalização sobre a administração de Trump e influenciar decisões importantes do Legislativo.

Apesar da derrota republicana, Trump continua na Presidência e mantém o poder de vetar projetos aprovados pelos parlamentares. Mesmo assim, a nova composição do Congresso deve limitar o avanço de parte da agenda do presidente nos próximos dois anos.

Reflexos na economia brasileira

No Brasil, os principais impactos podem ocorrer por meio da cotação do dólar e das taxas de juros. Especialistas avaliam que a limitação de propostas que aumentem os gastos públicos americanos pode reduzir a pressão sobre os juros dos Estados Unidos e tornar mercados emergentes, como o brasileiro, mais atrativos para investidores.

Com maior entrada de recursos estrangeiros, o real poderia ganhar força e as taxas de juros futuras no Brasil poderiam recuar. Por outro lado, possíveis conflitos entre Trump e o Congresso podem aumentar a incerteza e provocar oscilações nos mercados financeiros.

A relação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é apontada como um fator de atenção. O novo cenário político americano pode dificultar a aprovação de novas medidas comerciais contra o Brasil, mas não impede que o presidente dos EUA utilize instrumentos legais para manter ou aplicar tarifas sobre produtos brasileiros.

O resultado das eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, não altera o comando da Casa Branca, mas modifica o equilíbrio de forças políticas nos Estados Unidos e pode influenciar decisões econômicas com repercussão internacional.

Fonte: G1