Ala ligada a Moraes busca adiar análise e faz críticas a Fachin

Foto: Luiz Silveira/STF

A ala pró-Moraes do Supremo Tribunal Federal tem dado sinais de atuação para adiar a análise sobre a abertura de uma investigação contra o ministro.

Uma das costuras é para que a análise seja feita no dia 23 de setembro, em conjunto com o julgamento de um pedido de Alexandre de Moraes para debater a condução de André Mendonça.

O assunto é alvo de uma questão de ordem apresentada pelo ministro Flávio Dino e endossada pelo decano da corte, Gilmar Mendes.

Mas a articulação do grupo também tem por trás críticas à atuação do presidente Edson Fachin na condução da crise. O ministro virou alvo de Dino por ter avocado para si a condução do pedido de Mendonça para investigar Moraes.

Fachin também enfrenta o desafio de conseguir guiar a sessão com pulso, sem ser desautorizado pelos colegas.

O presidente teve ignorado o pedido de "sensatez, decoro e serenidade" feito aos pares no início do julgamento. Em diversos momentos, foi interrompido e teve ordens desrespeitadas quando orientou os colegas de que não era o momento de interrupções.

Até aqui, a ala pró-Moraes tem falado mais forte. A suspeição declarada por Dias Toffoli e a declaração de impedimento de Kassio Nunes Marques acabam por beneficiar Alexandre de Moraes.

Kassio alegou que o julgamento pode impactar o cenário eleitoral e que, como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não se sentia confortável para participar do julgamento. Saiu literalmente porta fora após o gesto.

Toffoli relembrou o histórico de suspeição na primeira fase do caso Master, quando ele era o relator do processo. Diferente de Kassio, decidiu ficar e indicou que pode pedir a palavra caso ache necessário.

Moraes falou em poucos momentos e sinalizou que terá testemunhas no processo para se defender de acusações de Mendonça.

A ala pró-Mendonça cunhou um termo em alusão à “Abin Paralela”, do processo da trama golpista: a “PF paralela”. O argumento demonstrou o apoio de Luiz Fux a Mendonça.

Em um dos embates da manhã, Gilmar Mendes insinuou que Mendonça calculou data para agir e envolver o STF na campanha eleitoral e ouviu do colega que estava sendo leviano.

Para Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, restou o silêncio. Zanin é um voto esperado pró-Moraes e sinalizou isso nos últimos dias, contribuindo com inúmeros despachos na guerra de ofícios disparados ao gabinete de Fachin. Mas é justamente de Cármen o posicionamento mais aguardado durante a sessão. A ministra, dizem interlocutores da corte, tende a se sensibilizar pelo noticiário. Cármen, no entanto, não deu qualquer pista durante a sessão sobre de que lado estará.



Fonte: CNN