A forte queda nos preços do cacau desde a alta recorde registrada em 2024/25 deve comprometer o volume de negócios da segunda edição da Expocacau em Ilhéus, na Bahia. A feira, que reúne produtores, indústria e fabricantes de insumos para a cadeia, teve início na última terça-feira (25/8) com crescimento de 25% em tamanho de público e expositores.
“O preço do cacau no ano passado era mais alto do que agora, o que reflete também num volume financeiro mais alto. Se a gente fizesse o mesmo volume de negócio que no ano passado, a gente já terá metade do faturamento. Então, de fato, acho que vai ter um impacto natural na geração de negócios porque o produtor está menos capitalizado para investir”, ponderou o coordenador do CocoaAction Brasil, Guilherme Salata.
O executivo evitou dar uma estimativa desta queda, mas lembrou que na sua primeira edição, no ano passado, a Expocacau gerou R$ 240 milhões em negócios. Desde então, o preço do cacau negociado na bolsa de Nova York acumula queda de cerca de 25%, pressionado pela recuperação da oferta mundial da commodity e pela queda da demanda desde o pico de preços, quando a cotação superou os US$ 8 mil a tonelada.
Apesar do cenário de mercado menos favorável, o clima da segunda edição da Expocacau é de otimismo, com maior diversificação de público. Segundo os organizadores, a feira recebe este ano participantes de 11 países, dando início a uma internacionalização orgânica do evento. No ano passado, a Expocacau recebeu participantes de três países. “Não é nossa prioridade hoje internacionalizar o evento, mas eu acho que é um processo natural”, observou o diretor do CocoaAction Brasil, Pedro Ronca.
Segundo Ronca, a feira tem cumprido o seu objetivo de reunir diferentes elos da cadeia cacauicultora e se tornado referência para o setor, contribuindo para o protagonismo do Brasil neste mercado. “Mesmo com as dificuldades, o produtor está atento e buscando oportunidades”, completou o executivo.
Fonte: Globo Rural
Foto: Marcos Fantin/Globo Rural

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