Caso de agressão em CMEI do bairro Santa Cruz, em Cascavel, está sendo investigado desde abril pelo Nucria, mas somente na sexta-feira (21) a situação foi divulgada.
O local é o Centro Municipal de Educação Infantil Geraldo Figueiredo, onde teriam acontecido as supostas agressões contra crianças. A unidade fica na Rua Tapajós. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o CMEI atende atualmente 37 crianças, divididas em três turmas.
Na manhã desta segunda-feira (24), até uma viatura da Guarda Civil Patrimonial ficou em frente ao CMEI durante a chegada das crianças. A equipe de reportagem conversou com alguns pais. Eles disseram que não foram comunicados sobre qualquer suspeita envolvendo a monitora.
E afirmaram que foram pegos de surpresa quando souberam da prisão da profissional.
"A gente ficou bem preocupado, né, porque no ambiente escolar parece um ambiente seguro, né? Daí a gente traz ele aqui e acontece esse tipo de coisa, a gente fica meio encabulado. A gente não consegue trabalhar tranquilo, né, sabendo que nosso filho pode ser agredido, né, ou algo do tipo", contou um pai.
Uma mãe disse: "Confiar em deixar o piá na escola e trabalhar e sabe Deus o que está acontecendo entre quatro paredes".
Outra mãe falou que ficou "arrasada, né, desesperada, palavra verdadeira, só que é aquilo que a gente fala, não podemos julgar todos, né. A minha filha, ela começou esse ano nesse CMEI e ela super se adaptou, gosta, conta tudo o que acontece, até o que come. Então, assim, acredito que ela tem amor pelas professoras dela, porque ela gosta de trazer presente. Então, assim, acho que se ela fosse mal cuidada ou maltratada, ela iria reagir e falar, ou iria mostrar outras formas, como aconteceu com as crianças".
A monitora do CMEI foi presa preventivamente durante investigação sobre as suspeitas de agressão contra as crianças. Segundo a delegada responsável pelo caso, Thais Zanatta, quatro crianças, todas de três anos, são apontadas como possíveis vítimas.
A investigação começou em abril, depois que a própria unidade encaminhou à polícia uma denúncia, acompanhada de vídeos feitos dentro do CMEI.
As imagens estão sendo analisadas pelos investigadores e teriam registrado situações que chamaram a atenção da polícia.
"Ela está sendo investigada pelos crimes de maus-tratos, lesão corporal, tortura-castigo e também coação no curso do processo, tendo em vista que, após nós iniciarmos essa investigação, essa investigação foi iniciada no dia 14 de abril de 2026, após o CMEI Geraldo Figueiredo, aqui de Cascavel, passar uma ficha de referência aqui para o Nucria, de que essa professora, juntamente com outras duas, uma de 44 e a outra de 50 anos, estariam cometendo alguns atos ali incompatíveis com o que se espera de professoras de CMEIs com crianças de determinada idade, tendo em vista que são quatro crianças vítimas já identificadas, todas com três anos de idade. O CMEI, além dessa ficha de referência, também encaminhou vídeos em que aparece essa professora juntamente com essas outras duas, cometendo aí atos realmente incompatíveis com o que se espera aí com essas crianças, né, o que levou ao início da investigação", disse a delegada.
Ao todo, três servidoras são investigadas. Apenas uma delas, de 54 anos, foi presa.
Segundo a delegada, a prisão foi pedida porque havia suspeita de que a monitora pudesse atrapalhar as investigações ou pressionar testemunhas. As outras duas seguem em liberdade.
"Após essas professoras tomarem conhecimento, então, de que essa investigação teria sido iniciada, após o fornecimento dessas informações pelo CMEI, uma das professoras, que é essa de 54 anos que foi presa, ela proferiu algumas ameaças e estaria coagindo as testemunhas ali, principalmente a parte da direção da escola. Então, a Polícia Civil, após tomar conhecimento dessa coação no curso da investigação, representou ao Poder Judiciário pela prisão preventiva dessa professora e também pela representação de medidas cautelares diversas da prisão contra as outras duas professoras envolvidas", disse Thais.
A Polícia Civil ainda ouve pessoas que trabalham no local, analisa imagens e tenta descobrir se outras crianças também podem ter sido vítimas.
Secretaria de Educação soube de supostas agressões em CMEI em abril, mas monitora só foi afastada em agosto
Fonte: Catve
Foto: Catve

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