Homem que deu surra em Givaldo tinha perfil popular e fazia propaganda de anabolizantes

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Um dos alvos presos preventivamente pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na Operação Narciso, deflagrada nas primeiras horas desta quarta-feira (12/8), é figura amplamente conhecida do público brasileiro por se envolver em um dos episódios policiais mais famosos da história recente da capital da República.

O personal trainer Eduardo Alves, que ganhou notoriedade nacional em março de 2022 após flagrar sua esposa em surto psicótico mantendo relações sexuais com o “mendigo Givaldo Alves“, em Planaltina, era garoto-propaganda e atleta patrocinado da New Science, um dos laboratórios clandestinos desmantelados pela investigação.

Eduardo utilizava seu perfil no Instagram para divulgar os anabolizantes ilegais da marca. Deflagrada pela Divisão de Defesa do Consumidor, a ação é considerada a maior do ano contra o comércio ilegal de esteroides e substâncias proibidas no país.

De acordo com o delegado Rodrigo Carbone, os alvos operavam no submundo underground dos anabolizantes e são tratados pela polícia como verdadeiros traficantes de drogas. O esquema funcionava sob o conceito de “cozimento”, focado na fabricação artesanal de substâncias orais e injetáveis em cozinhas residenciais, fundos de quintal e locais sem qualquer assepsia ou controle sanitário.

Mistura perigosa

Para maximizar os lucros, os criminosos misturavam insumos importados da Índia, da China e do Paraguai a ingredientes perigosos, como óleo de cozinha comum e óleos de uva e arroz sem esterilidade. Além disso, ocultavam substâncias graves nos rótulos, incluindo clembuterol, que é um medicamento veterinário de uso exclusivo para equinos, sibutramina, fluoxetina, bupropiona e diuréticos.

O uso desses produtos causava abscessos, infecções severas e embolias até contaminações fatais por sepse — como no caso recente da morte de uma fisiculturista em Samambaia —, além de AVC e hipertrofia cardíaca.

A estrutura do grupo era milionária e contava com uma rota internacional complexa. Ao todo, a Justiça expediu 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão no DF e em mais oito estados, além de determinar o bloqueio de R$ 32 milhões em ativos financeiros, o sequestro de dez veículos de luxo das marcas Porsche, Audi e Mercedes, o fechamento de mais de 20 estabelecimentos comerciais e a derrubada de 30 sites.

Lavagem de milhões

A organização lavava milhões por meio do fracionamento de transferências via Pix para casas de apostas on-line, empresas laranjas na região de fronteira e lojas físicas de suplementação esportiva.

As investigações apontam que a rota de insumos passava por Foz do Iguaçu, e que o gerenciador da New Science, Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como “Jiraya”, mantinha um bunker de fabricação em Ciudad del Este, no Paraguai, faturando cerca de R$ 500 mil líquidos por mês e ostentando uma vida de luxo no exterior enquanto o produto adulterado circulava livremente pelo Brasil.

Surto

O escândalo de 2022, que começou com a agressão física cometida por Eduardo contra Givaldo ao lado do carro da família em Planaltina, desdobrou-se na época em laudos médicos que comprovaram um surto psicótico severo da mulher e acabou transformando o homem em situação de rua em uma celebridade temporária na internet.

Após a repercussão do caso, Eduardo Alves retomou a rotina profissional de forma mais reservada nas redes e focando no trabalho de personal trainer, mas seu nome voltou em definitivo ao centro das páginas policiais; desta vez, por integrar a engrenagem de divulgação e patrocínio do mercado clandestino de anabolizantes.



Fonte: Metrópoles