Os atendimentos a crianças e adolescentes realizados pela Secretaria de Assistência Social tiveram leve aumento no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. O total de registros passou de 505 para 513 atendimentos.
O principal aumento foi nos casos de violência psicológica, que saltaram de 139 para 179 registros, uma alta de 28,8%. Também cresceram os atendimentos por abuso sexual, de 66 para 74 casos, além da violência física, que passou de 70 para 79 ocorrências. Os registros de exploração sexual também aumentaram, passando de um para três casos.
"Nós entendemos que nós estamos sendo mais protetivos. A questão do aumento da violência não significa que ela aumentou, mas significa que a gente está mais preparado, com um olhar mais atento para identificar essas demandas", afirmou Poliana Lauther, assistente social da Seaso.
Quando uma criança ou adolescente é vítima de violência, o primeiro passo é garantir um ambiente seguro para que ela seja ouvida. Na Secretaria de Assistência Social, o atendimento é realizado por uma equipe técnica formada por assistentes sociais e psicólogos, que fazem o acolhimento inicial e identificam as necessidades de proteção.
Esse atendimento faz parte da chamada escuta especializada, um procedimento previsto em lei para evitar que a vítima tenha que repetir diversas vezes o relato da violência.
"Historicamente, essa criança fazia uma revelação de uma violência para uma pessoa da confiança dela, que por vezes era um oficineiro de serviço de convivência, um educador, professor, e essa pessoa acabava chamando alguém daquela unidade e contava de novo. Ia para o Conselho Tutelar e contava novamente e, por vezes, ia para o Nucria e falava de novo. Então, a ideia do setor da escuta é evitar essa revitimização. Essa criança vem para cá, ela conta e, a partir do que as técnicas constatam, identificam o atendimento e fazem o encaminhamento para a rede", disse Poliana.
A conversa acontece de forma acolhedora, respeitando a idade e as condições da criança ou adolescente, sempre com foco na proteção e no encaminhamento para a rede de atendimento.
"Nós já tivemos muitas situações de encaminhamentos que foram feitos por um motivo e, quando eles chegam aqui, eles revelam situações que nunca tinham contado para ninguém. É muito comum acontecer com adolescentes", relatou Izabel Coginotti, psicóloga da Seaso.
Após a escuta, cada caso é avaliado individualmente. Dependendo da situação, a criança e a família são acompanhadas pelos serviços da assistência social e podem ser encaminhadas para atendimento psicológico, serviços de saúde, Conselho Tutelar, Ministério Público ou outros órgãos da rede de proteção.
O acionamento rápido da rede de proteção é fundamental para garantir segurança, acolhimento e assegurar os direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência.
"A Polícia Civil recebe denúncias diariamente por vários órgãos e meios. Muitas dessas denúncias chegam até nós pela rede de proteção, seja pelo Conselho Tutelar, assistência social, unidades de saúde, escolas e creches. Mas qualquer cidadão pode e deve denunciar", falou Thaís Zanatta, delegada do Nucria.
Fonte: Catve
Foto: Ricardo Oliveira/Semcom

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