Testemunha critica atendimento após acidente nas Cataratas: "Fiquei chocada com o despreparo"

Foto: Reprodução Catve

A experiência de quem acompanhava o passeio do Macuco Safari na tarde de terça-feira (28) foi marcada por tensão e preocupação após o tombamento de uma embarcação no Rio Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Entre os turistas estava Karen Charlotte Gomes Macedo Farion, ex-técnica de enfermagem, que acompanhou de perto, embora à distância, os momentos de atendimento a um dos passageiros.

Karen estava no bote com o marido, os dois filhos, de 7 e 14 anos, a irmã e o sobrinho de 5 anos, que comemorava aniversário. A família estava em um passeio que, segundo ela, já havia realizado outras duas vezes.

Quando o grupo se aproximava do fim do trajeto, percebeu uma movimentação incomum. Um homem estava nas pedras e dois botes se aproximavam para fazer o resgate. Mais à frente, os turistas viram a embarcação tombada e outras duas tentando reposicioná-la.

A dimensão do acidente só ficou clara quando a família chegou à plataforma de desembarque. Segundo Karen, familiares da vítima estavam em choque, enquanto, em outra plataforma, uma pessoa recebia massagem cardíaca dentro de um bote.

Foi nesse momento que a experiência profissional de Karen Charlotte chamou atenção para a forma como o atendimento era realizado por uma equipe argentina que, aparentemente, chegou primeiro ao local. 

Segundo ela, a massagem cardíaca deveria ser feita sobre uma superfície rígida e plana para que as compressões fossem efetivas.

Outro ponto que chamou a atenção da testemunha foi o tempo de chegada da equipe médica brasileira. 

"A médica brasileira veio depois de 20 minutos que eu estava

Para Karen, o episódio evidenciou a necessidade de uma estrutura permanente de atendimento emergencial nas proximidades do local onde os turistas realizam o passeio.

"A prancha demorou muito tempo para chegar. A prancha veio lá de cima, de onde tem um morro gigante para acessar. Não sei aonde estava essa prancha, mas, de uma vez que tem muita gente ali embaixo, devia ter um suporte de vida ali embaixo", afirmou.

A testemunha também defendeu a presença de profissionais preparados para atendimento de emergência nas plataformas. "Devia ter um médico ali embaixo naquela plataforma, não lá em cima, um de plantão", disse.

Tensão após o acidente

Além da preocupação com o atendimento à vítima, Karen relatou a confusão entre os visitantes após o acidente. Houve aglomeração e falta de orientação aos visitantes, que também estavam abalados com o que havia acontecido.

"A minha sensação é o despreparo. Fiquei chocada com o despreparo. Fiquei assustada também porque poderia ser a gente", afirmou.

Karen ressaltou que, em todas as três vezes em que realizou o passeio, considerou a atividade segura. Ela afirmou que todos os passageiros utilizavam coletes salva-vidas e que, na experiência dela, o trajeto normalmente ocorre sem situações de risco.

"É um acidente que não tem precedentes, mas poderia talvez ter sido evitado", declarou.

A mulher também destacou que a região possui forte correnteza e que o tombamento ocorreu antes da área das grandes quedas d'água. "Tem que investigar o que houve, qual foi a causa de ter virado o barco", afirmou.

O acidente terminou com a morte do turista holandês Mark Lensink, de 26 anos. As circunstâncias do tombamento são investigadas pela Polícia Civil, pela Polícia Científica e pela Marinha do Brasil.

Após o acidente, o ICMBio determinou a suspensão das atividades do Macuco Safari por 72 horas. A empresa informou que possui as licenças necessárias para funcionamento e que está colaborando com as investigações.


Fonte: Catve