Sargento é detido após levar esposa morta a hospital de Belo Horizonte

Foto: Redes sociais

Versão do sargento

Após ser informado de seus direitos, o sargento Eduardo prestou depoimento à polícia. Segundo ele, na noite anterior o casal promoveu uma confraternização em casa e consumiu bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.

O militar afirmou que, depois da saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas.

Ainda conforme o depoimento, por volta do meio-dia Michele teria caído da escada da residência, sofrendo um corte na cabeça e outros ferimentos. Eduardo disse que prestou os primeiros socorros, deu banho na esposa, estancou o sangramento e a colocou para descansar. Segundo sua versão, ela recusou atendimento médico porque estaria constrangida após o consumo de drogas.

O sargento afirmou que ambos dormiram durante a tarde e que, ao acordar, por volta das 21h, percebeu que Michele não respondia aos estímulos. Em seguida, decidiu levá-la ao Hospital Odilon Behrens.

Ecstasy encontrado

O boletim de ocorrência também relata que, enquanto aguardava no hospital, Eduardo pediu para usar o banheiro. Acompanhado por um oficial, ele foi visto descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira.

Dentro do recipiente, os policiais encontraram comprimidos com características semelhantes às da droga sintética ecstasy. O próprio sargento confirmou que havia jogado o material fora. A substância foi apreendida e será submetida à perícia.

Em nota, a defesa do policial militar informou que acompanha as investigações e afirmou ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais e da apuração antes de qualquer julgamento.

Disse também confiar no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e afirmaram que vão se manifestar no momento oportuno, preservando o direito de defesa e o sigilo do procedimento.

Depoimento da família

A mãe da vítima afirmou à polícia que considerava o relacionamento da filha abusivo e marcado por controle psicológico. Segundo ela, Michele passou por sucessivas separações e reconciliações com Eduardo ao longo dos últimos anos.

A mãe relatou ainda que tinha um encontro marcado com a filha na manhã de segunda-feira, mas Michele telefonou dizendo apenas que não poderia comparecer. Depois disso, a mãe enviou diversas mensagens ao longo do dia e não recebeu resposta.

Ainda segundo o boletim, a mãe afirmou que passou a desconfiar do uso de drogas pela filha apenas depois do início do relacionamento com o sargento. Ela também disse que foi informada pela outra filha de que Michele considerava Eduardo uma pessoa narcisista, tentava terminar o relacionamento e que, em uma discussão anterior, ele teria chegado a empunhar uma faca.

Perícia

Durante os trabalhos periciais, o apartamento do casal foi vistoriado. Os peritos apreenderam um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, que pode ter sido utilizado para agredir a vítima.

Também foram recolhidas roupas de cama que estavam lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar. O veículo usado para levar Michele ao hospital foi periciado e removido.

O celular do sargento e os comprimidos apreendidos no hospital também foram encaminhados para análise.

O corpo de Michele foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde será submetido a exame de necropsia. O caso é investigado pela Polícia Civil.



Fonte: G1