Mel paranaense passa a integrar vitrine do Projeto Orgulho Paraná

Foto: Diario Do Sudoeste

Produtos de sete propriedades ficam expostos na sede do Sistema FAEP durante julho e agosto

O mel paranaense e seus derivados estão expostos durante julho e agosto na sede do Sistema FAEP, em Curitiba, por meio do Projeto Orgulho Paraná. A vitrine reúne produtos de sete propriedades para divulgar a qualidade, a origem e a diversidade da apicultura e da meliponicultura estadual.

Além do mel, a exposição apresenta própolis, hidromel, artesanato e outros derivados.

Cada produto é acompanhado por informações sobre o produtor e o processo de fabricação.

A apicultura é a sétima atividade agropecuária apresentada desde o lançamento da iniciativa.

Projeto divulga produção das regiões

O Projeto Orgulho Paraná foi lançado em dezembro do ano passado para divulgar a diversidade e a qualidade da agropecuária estadual.

A iniciativa busca apresentar produtos de diferentes regiões do Paraná e destacar a identidade do trabalho desenvolvido nas propriedades.

Os participantes são indicados pelos sindicatos rurais.

Antes do mel, a vitrine recebeu café, geleias, erva-mate, vinhos, grãos e queijo.

“Essa é mais uma demonstração de força e qualidade da produção agropecuária do Paraná”, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

“É uma oportunidade para o produtor mostrar os seus produtos, a variedade, a origem e a identidade do trabalho que o campo desenvolve com excelência”, acrescentou.

Paraná lidera produção nacional de mel

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o Brasil produz 67,3 mil toneladas de mel.

Desse total, 9.823 toneladas saíram do Paraná, o equivalente a 14,6% da produção brasileira.

O Valor Bruto da Produção nacional alcançou R$ 1 bilhão. A participação paranaense foi de R$ 180,8 milhões, correspondentes a 17,9%.

Os maiores produtores estaduais são Arapoti, Prudentópolis, Ortigueira, Wenceslau Braz e Bituruna.

Exportações geraram US$ 20 milhões

O Paraná ocupa a terceira posição entre os estados brasileiros que mais exportam mel.

Em 2025, foram enviadas ao exterior 5,9 mil toneladas, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

As exportações geraram receita de US$ 20 milhões.

Os principais mercados internacionais do mel paranaense são Estados Unidos, Canadá e Alemanha.

Produtores de Ortigueira buscam novos mercados

Fábio Alexandre Siqueira produz mel em Ortigueira desde 2018.

A família mantém 450 caixas, sendo 210 em produção com abelhas mistas, da espécie europeia africanizada.

Com a ajuda da esposa e dos três filhos, Siqueira retira até 15 quilos de mel por colmeia.

Atualmente, a produção é entregue a um entreposto. Com a participação no projeto, o produtor espera ampliar as vendas diretas.

“Espero que abra portas para vender mais. Na próxima leva de mel da propriedade, inclusive, vou buscar a Identificação Geográfica do produto para agregar valor e vender mais”, afirmou.

Também em Ortigueira, Rafael Alves da Silva trabalha com a família em 500 colmeias.

Ele e o pai cuidam do manejo, enquanto a esposa produz cera, própolis, hidromel, velas artesanais e cosméticos.

“O diferencial do nosso produto está já na região onde é produzido, que tem indicação geográfica com denominação de origem. É um mel mais claro. É único em sabor e coloração, atestado por pesquisas”, afirmou.

Em condições favoráveis, a propriedade produz entre 15 e 20 toneladas de mel por ano.

A comercialização ocorre na região e no Norte do Paraná, além de programas institucionais e da merenda escolar.

Família mantém produção há 52 anos

Em Imbaú, a Granja Morada produz mel há 52 anos.

A atividade é conduzida pelo apicultor Benjamin Alves Ferreira Júnior e pela esposa, Sirlei.

A família chegou a manter 1,5 mil caixas e atualmente trabalha com 300, ocupadas por abelhas mestiças e Meliponas, que não possuem ferrão.

A produção anual chega a 2,7 mil quilos de mel, vendidos para mercados e restaurantes da região.

“Ter o seu produto em vitrine é sempre positivo, pois divulga o trabalho, o produto, e agrega conhecimento e valor”, disse Ferreira Júnior.

O produtor também fabrica caixas em sua marcenaria para outros apicultores e participa da Assistência Técnica e Gerencial.

Exposição pode ampliar vendas

Carlos Augusto Alves produz mel há cerca de dez anos em Tuneiras do Oeste.

A propriedade mantém 100 colmeias com abelhas europeias, atividade que divide espaço com a pecuária leiteira.

Neste ano, o apicultor produziu 2 mil quilos de mel, comercializados em Tuneiras do Oeste e municípios vizinhos.

“Eu já expus o mel em um evento em Mariluz, mas esta é a primeira vez que exponho na capital. Espero que essa oportunidade abra portas para eu vender meu produto para outras regiões do Estado”, afirmou.

Produtora de Realeza aposta em derivados

A região Sudoeste está representada por Silvana Damin, produtora de Realeza.

Ela trabalha com a irmã e o marido na criação de abelhas-europeias em 20 colmeias e de abelhas sem ferrão em outras 20.

A família mantém espécies como Jataí, Mandaçaia e Canudo.

O manejo envolve alimentação suplementar, troca de rainhas, substituição de cera, multiplicação de colônias e suplementação quando necessária.

Além de mel, própolis e cera, a empresa familiar produz itens gourmet, cosméticos, velas e panos encerados.

Entre os produtos estão mel com nozes, mel com castanha e mel no favo.

“Nosso mel é diferenciado, extremamente suave e que agrada a maioria dos paladares. Temos como um dos nossos pilares a inovação, buscando produtos diferenciados que venham atender necessidades dos clientes”, afirmou Silvana.

A produtora e a irmã, Andressa Damin, também são instrutoras do Sistema FAEP. Silvana atua no Sudoeste, enquanto Andressa trabalha nos Campos Gerais.

Projeto apresenta possibilidades da atividade

Parte da produção da família é comercializada em Realeza e na região. O restante é utilizado na fabricação dos derivados.

“Esperamos que o Projeto Orgulho Paraná possa ser uma forma amplificada de expor produtos das abelhas. No meu caso, quero poder apresentar para as pessoas as possibilidades de derivados, já que nem todos conhecem”, afirmou Silvana.

A apicultura e a meliponicultura também integram o portfólio de cursos do Sistema FAEP.

Atualmente, a entidade oferece cinco formações específicas sobre as atividades e um curso voltado ao uso do mel na gastronomia.


Fonte: Diario do Sudoeste