Investigação sobre agressão a menina pode resultar em acusação de tortura

Foto: Diarios Do Sudoeste

Investigação apura castigos cruéis e agressões contra dois irmãos de três e cinco anos em Francisco Beltrão

A Polícia Civil investiga se uma menina de três anos agredida pelo pai em Francisco Beltrão também foi vítima de tortura. Preso preventivamente após ser filmado chutando o rosto da criança, o homem de 31 anos é suspeito de praticar outros episódios de violência contra ela e o irmão.

Novos detalhes do caso foram exibidos pelo Fantástico neste domingo (12). As imagens que deram origem à investigação mostram os irmãos, de três e cinco anos, caminhando por uma rua da cidade acompanhados pelo pai. Em determinado momento, o homem desfere um chute no rosto da menina. A criança cai no chão após ser atingida.

Testemunha impediu novas agressões

Logo depois do chute, um homem que estava no outro lado da rua se aproxima, repreende o agressor e impede a continuidade da violência. O personal trainer José Luiz, proprietário de uma academia em frente ao local, reuniu as gravações que ajudaram a identificar o investigado.

Segundo ele, após testemunhar a agressão, procurou imagens de câmeras instaladas em imóveis próximos até localizar o registro do momento em que a menina foi atingida. As imagens circularam nas redes sociais e chegaram à Polícia Civil. A partir do material, a polícia solicitou a prisão preventiva do pai.

Homem afirmou que perdeu a cabeça

Durante depoimento à polícia, exibido pela reportagem, o investigado afirmou estar arrependido. Ele declarou que “perdeu a cabeça” e disse que não pretendia machucar a filha, embora tenha reconhecido a agressão

O homem permanece preso preventivamente enquanto a Polícia Civil apura as circunstâncias do caso e os demais relatos envolvendo os filhos. Até o momento informado, ele não havia constituído advogado para a defesa.

Polícia apura outros episódios de violência

A investigação não está restrita ao chute registrado pelas câmeras de segurança. A Polícia Civil apura ao menos outras duas situações relatadas por familiares e pelas próprias crianças.

Uma das suspeitas é de que o pai tenha atingido o menino de cinco anos com um pedaço de madeira, provocando uma marca no rosto. Os investigadores também receberam relatos de castigos aplicados aos dois irmãos.

Entre as práticas investigadas está a suspeita de que as crianças fossem obrigadas a permanecer ajoelhadas sobre grãos de feijão e tampas de garrafas plásticas.

Caso pode ser tratado como tortura

Inicialmente, a investigação tratava da agressão registrada em vídeo e da possível prática de lesão corporal. No entanto, o delegado responsável pelo caso afirmou que os novos elementos podem levar ao indiciamento por tortura.

A avaliação considera os indícios de violência física e psicológica praticada de forma repetida contra as duas crianças. A definição dependerá da conclusão das diligências e da análise dos depoimentos, das imagens e dos demais elementos reunidos pela polícia.

Mãe pediu medida protetiva

A mãe das crianças solicitou uma medida protetiva e informou às autoridades que pretende se separar do marido. Em declaração exibida pela reportagem, ela disse estar abalada e afirmou que nunca havia presenciado comportamentos agressivos por parte do companheiro.

A mulher classificou a situação como inesperada e chocante. Segundo a Polícia Civil, caso o investigado seja colocado em liberdade, ele ficará proibido de se aproximar da família. O homem segue preso enquanto a investigação sobre as agressões e os possíveis castigos continua.


Fonte: Diario Do Sudoeste