Justiça corrige decisão e antecipa julgamento que havia sido adiado devido a jogo do Brasil na Copa

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O julgamento de um caso de violência doméstica que foi adiado em praticamente dois anos no Paraná devido a um jogo do Brasil na Copa do Mundo foi remarcado e antecipado.

Na nova decisão, tomada após o g1 repercutir a situação, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) alega que o adiamento para 2028 "decorreu de erro material na inserção de documentos pelo sistema virtual".

As agressões aconteceram em junho de 2025 e foram filmadas por uma câmera de segurança. As imagens mostram Marcos Eduardo Rosa dos Santos, dono de uma página de notícias policiais que é popularmente conhecido como "Repórter Sassá", batendo na ex-namorada e jogando o celular dela no chão em Ponta Grossa, nos Campos Gerais

Inicialmente, a audiência estava agendada para a tarde de segunda-feira (29), quando a Seleção Brasileira enfrentou o Japão na Copa do Mundo. No mesmo dia, uma decisão judicial o adiou para 29 de abril de 2028 - exatamente um ano e 10 meses depois - justificando que o Decreto Judiciário nº 308/2026-TJPR suspendeu o expediente forense no período da tarde em razão do jogo.

A situação foi publicada pelo g1 no dia seguinte e, nesta quinta-feira (2), uma nova decisão judicial foi emitida remarcando o julgamento para a tarde de 12 de novembro de 2026. Todo o trâmite foi feito pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Ponta Grossa.

Na terça-feira (30), o TJ-PR havia dito ao g1 que a remarcação de audiências agendadas para dias de jogos do Brasil na Copa é a orientação geral e que, como instituição, não comenta nenhuma decisão. O g1 voltou a procurar o Tribunal nesta sexta (3), mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Marcos Eduardo Rosa dos Santos é réu pelos crimes de lesão corporal e dano ao patrimônio (contra a ex-namorada) e por descumprimento de medida protetiva (da mãe dela).

Em nota, o advogado Fernando Madureira, que atua na defesa do homem, lembrou que na época dos fatos "Sassá" veio a público, "manifestou seu sincero arrependimento pelo ocorrido, reconheceu a gravidade da situação e apresentou suas desculpas públicas à vítima"

Marcos Eduardo Rosa dos Santos, dono de uma página de notícias policiais que é popularmente conhecido como "Repórter Sassá", foi preso no dia 22 de junho de 2025, um domingo, suspeito de agredir a ex-namorada em Ponta Grossa. Na tarde do dia seguinte, ao passar por audiência de custódia, ele recebeu liberdade provisória.

A vítima tinha 28 anos de idade e, à polícia, disse que vinha sendo ameaçada por "Sassá" porque ele não aceitava o término do relacionamento.

Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, ela contou que namorou com o homem por cerca de sete anos e chegou a morar junto com ele por um tempo, e que ambos estavam separados há cerca de duas semanas.

"Sempre teve agressões - tanto físicas, quanto verbais. [...] Eu sempre fiquei quieta porque ele falava que era amigo de todo mundo e todo mundo era a favor dele: tanto polícia, delegado, todo mundo era conhecido dele, e que era a minha palavra contra a dele", relatou a vítima.

O que diz a defesa

Veja, abaixo, a íntegra da nota enviada ao g1 pelo advogado Fernando Madureira, que atua na defesa do réu:

"Marcos Eduardo Rosa dos Santos, conhecido como repórter Sassá, em respeito à vítima e à sociedade, na época dos fatos, veio a público e manifestou seu sincero arrependimento pelo ocorrido, e reconheceu a gravidade da situação e apresentou suas desculpas públicas à vítima.

Além do pedido público de desculpas, o acusado adotou providência concreta para reparar o dano material causado, promovendo, assim, a reparação integral do prejuízo patrimonial.

Ressalta-se que o ocorrido constituiu ato único e isolado, absolutamente incompatível com o histórico de vida do acusado, pessoa que jamais respondeu a qualquer ação penal e que não possui antecedentes criminais.

O acusado reitera seu respeito à vítima, lamenta profundamente o episódio e reafirma que se coloca à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiando na apuração responsável dos fatos, com observância do devido processo legal, da ampla defesa e das garantias constitucionais".


Fonte: G1