Professor de português revela como foram as aulas de Ancelotti antes da Copa

Foto: Rafael Ribeiro e Nelson

Carlo Ancelotti, o professor que ensina, é uma figura renomada e mundialmente conhecida. Mas e Carlo Ancelotti, o aluno dedicado a aprender um idioma difícil para assumir um novo emprego? Essa faceta é reservada a basicamente uma pessoa, que abriu um pouco da experiência em entrevista exclusiva à ESPN.

Professor há 20 anos e fluente em sete idiomas, Roberto Piantino foi o escolhido para ensinar os caminhos da língua portuguesa ao técnico da Seleção Brasileira. A relação entre mestre e aprendiz começou em maio de 2025, pouco depois de Ancelotti aceitar o desafio de dirigir a camisa pentacampeã mundial na Copa do Mundo de 2026.

"Desde o início, do contato oficial, sempre vi uma dedicação genuina dele de estar próximo das nossas coisas, do país, das pessoas", contou Piantino, que preparava as aulas ao italiano com claro foco em palavras e expressões do futebol. "Sentia que ele queria a necessidade de se comunicar com os jornalistas. Da linguagem da bola, do equipamento para o jogo. Não tanto instrução para jogadores, porque ali eles se entendem sem problemas".

A imersão de Ancelotti foi grande. Entre julho e outubro, chegou a praticar até cinco horas por semana, com uma pontualidade exemplar. As aulas eram sempre à distância, por vídeo. "Sempre que eu iniciava a chamada, ele já estava lá pronto. Nunca atrasou", elogia o professor, cada vez mais satisfeito com o que vê do aluno nos microfones.

"Evoluiu para caramba, muito melhor que ano passado. Ainda acontece de misturar os idiomas, porque o espanhol prevalece. Passou muito tempo morando na Espanha, mas com o passar do tempo talvez aconteça o inverso: o português tomar espaço do espanhol".

As aulas de português tiveram uma pausa. A última aconteceu na Quarta-Feira de Cinzas, em 18 de fevereiro, praticamente quatro meses antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo. Piantino enxerga este como um sinal de que Ancelotti já se sente confortável com o próprio nível de fala e entendimento do idioma.

Lugares para prática não faltam. O técnico mora no Rio de Janeiro e dá expediente diário na CBF, o que praticamente o obriga a falar em português. Comunica-se também com jogadores e sempre se esforça para responder ao máximo no idioma em todas as entrevistas coletivas que concede pela Seleção Brasileira.

Outro sinal de que o português não é mais um problema foi Ancelotti se arriscar a cantar o Hino Nacional durante os jogos do Brasil na Copa. Piantino, porém, diz que essa façanha não estava no cronograma de aulas. "Certamente partiu dele, que seria algo necessário".

O professor ainda guarda com carinho os momentos de convívio com Ancelotti. À ESPN, confidenciou até que chegou a gaguejar nos primeiros contatos com Carletto, que o surpreendeu com elogios que jamais pensou em ouvir.

"Sou professor há 20 anos, trabalho com atletas, treinadores, jornalistas, mas lembro de ter sentido muita emoção no primeiro contato. Quando abriu a câmera e era realmente ele, acho que até gaguejei", dividiu Roberto.

"Fizemos um contato inicial, perguntando da vida um do outro para quebrar o gelo. Ele descobriu coisas sobre mim, me chamou de gênio. Ser chamado assim por um gênio do esporte... Na hora não raciocinei o tamanho, mas talvez tenha sido a coisa mais especial que aconteceu nesse contato".

A torcida pelo sucesso de Ancelotti à frente da Seleção é imensa. Não só pelo país ou pelo aluno mais do que especial, mas pelo caráter que o italiano sempre demonstrou durante o convívio.

"Uma pessoa muito humana, de saber tratar os outros como uma pessoa normal, sem estrelismo e vaidade. Não é nada diferente que parece. Não é personagem, ele é assim. Eu assisti à carreira dele, acompanhava e seguia de perto. Se alguém me falasse lá atrás que eu daria aula para o Ancelotti, diria na hora: você está brincando com a minha cara. De fato foi uma experiencia marcante".



Fonte : ESPN