O crescimento do espaço de uns é a redução de minutos de outros. Na seleção brasileira que disputa a Copa do Mundo, Luiz Henrique tem experimentado o lado negativo disso.
Se antes da Copa tinha até conseguido beliscar uma titularidade e despontava como candidatíssimo a jogar com frequência diante das lesões de Estêvão e Rodrygo, o atacante só entrou no segundo tempo da estreia, contra o Marrocos, e não apareceu mais.
A perda de espaço de Luiz Henrique casa com uma mudança de característica buscada por Carlo Ancelotti para quem ocupa a faixa direita do campo.
O Brasil mudou de esquema. Saiu do 4-2-4 para o 4-4-2 com losango no meio.
Com isso, quem forma dupla de ataque com Vini Jr. trabalha bastante na pressão sem a bola, por vezes compõe a marcação no lado direito, mas precisa ter mais cara de atacante/centroavante do que de um ponta. Pelo menos no jeito que Ancelotti montou o time diante de Haiti, Escócia e Japão.
Rayan foi quem assumiu a vaga do lesionado Raphinha e tem correspondido, o que complica as coisas para Luiz Henrique.
Mesmo sem dar "boa noite" e responder "se vai ter gol do Rayan hoje", o garoto de 19 anos participou ativamente de dois gols nas últimas partidas. Sempre ao pressionar (contra a Escócia) ou recuperar a posse pouco antes do gol (como foi contra o Japão).
Luiz Henrique bebeu da fonte de ser um substituto de impacto. Com Ancelotti, a melhor amostra foi contra a França, mesmo com a derrota por 2 a 1.
Desde que estreou na seleção, em setembro de 2024, ainda na gestão Dorival, foi quem somou mais participações em gols entre os que saíram do banco durante os jogos — foram cinco, sendo três assistências e dois gols.
Mas as atuações não saltaram aos olhos quando Luiz Henrique foi titular. A concorrência também cresceu e o número de atacantes diminuiu.
Ao mesmo tempo, tem mais gente no banco brigando pelo papel de substituto de impacto.
Martinelli atingiu o ápice disso com o gol da vitória sobre os japoneses, aos 50 minutos do segundo tempo. Antes, nesse mesmo jogo, Ancelotti já tinha recorrido a Endrick para dar mais presença de área.
Contra a Escócia, Rayan foi até substituído, mas deu lugar a Endrick, em um jogo em que outra mudança ofensiva foi a estreia de Neymar na Copa, substituindo Matheus Cunha.
Luiz Henrique foi titular contra o Panamá, em um primeiro tempo nada empolgante do Brasil no Maracanã, apesar da vitória parcial por 2 a 1 até o intervalo. No segundo tempo, Ancelotti mudou o time todo e aí o Brasil decolou rumo ao 6 a 2.
Contra o Egito, outro amistoso, Luiz Henrique entrou no segundo tempo, mas sem participação direta em gol. Quem resolveu foi Endrick.
Luiz Henrique é daqueles que fala sobre o aspecto mental sempre que pode. Ele tem um trabalho com um mentor particular, que o faz mentalizar todos os dias um gol na final da Copa.
Mas a questão é qual vai ser a brecha no time para isso se concretizar. Para o Brasil chegar à final, precisa primeiro superar a Noruega, domingo, às 17h (de Brasília), pelas oitavas de final.
Fonte: UOL
Foto: Harry Langer/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images

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