Policiais são presos por suspeita de tortura com pedaços de madeira e extorsão no Paraná

Foto: MPPR

Dois policiais militares foram presos preventivamente na manhã desta segunda-feira (29), no litoral do Paraná, sob a suspeita de praticarem crimes de tortura e extorsão. Os agentes, que atuam em Pontal do Paraná, são investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Paranaguá por utilizarem a função pública e as dependências da corporação para espancar vítimas e exigir vantagens financeiras indevidas.

As apurações ganharam força a partir da análise de um vídeo, compartilhado entre os próprios policiais em agosto de 2025, que registra o espancamento de um homem de 24 anos com pedaços de madeira, socos e chutes. Segundo os investigadores do Gaeco, a violência aconteceu durante o atendimento a uma ocorrência de invasão de domicílio, onde a vítima foi flagrada pelos agentes. Em outra ocasião, esse mesmo homem foi vítima de novos episódios de violência, dessa vezes na própria sede da 5ª Companhia do 9º Batalhão da Polícia Militar, na presença de outros militares e civis. O Ministério Público aponta que a audácia dos agentes demonstrava a crença na impunidade frente aos mecanismos de controle da corporação.

A materialidade dos crimes também se apoia em provas extraídas dos celulares dos suspeitos, apreendidos após denúncias de um segundo homem. Essa vítima relatou ter sofrido tortura, inclusive com um braço quebrado, e passado a receber mensagens com exigências de pagamentos quinzenais de até R$ 3 mil para garantir a sua segurança e a de seus familiares. As agressões foram corroboradas por um dos suspeitos em mensagens enviadas à sua companheira na mesma noite do crime, nas quais o agente admitia estar escondido em uma área de mata espancando quatro pessoas, quebrando os braços e os dedos delas.

A defesa dos policiais declarou que o processo tramita em segredo de Justiça e que ainda busca acesso integral aos autos, o que impossibilita maiores esclarecimentos no momento. Em nota oficial, a Polícia Militar do Paraná informou que, por meio de sua Corregedoria-Geral, prestou apoio à operação do Gaeco, batizada de Hubris. A instituição confirmou que os agentes permanecem custodiados e foram imediatamente afastados de suas atividades, ressaltando ainda o seu compromisso com a legalidade e destacando que não compactua com condutas contrárias aos preceitos legais e aos valores da corporação.

Leia a íntegra da nota da Polícia Militar do Paraná

"A Polícia Militar do Paraná (PMPR) informa que, na manhã desta segunda-feira (29), por meio de sua Corregedoria-Geral (COGER), prestou apoio ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) em uma ação realizada no município de Paranaguá, no litoral do Estado, voltada à investigação da possível prática de crimes cometidos por parte de agentes. Durante a operação denominada Hubris, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva em desfavor de dois policiais militares, que permanecem custodiados e afastados de suas atividades. A PMPR reafirma seu compromisso permanente com a legalidade, a moralidade, a ética e a transparência, destacando que não compactua com qualquer conduta que contrarie os preceitos legais e os valores institucionais".


Fonte: TN