Homem que fingiu ter leucemia por cinco anos enganou a própria família, afirma delegado

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A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) informou nesta segunda-feira (22) que indiciou um jovem de 24 anos, morador de Cambira (PR) por estelionato após descobrir que ele fingiu ter leucemia durante cinco anos para arrecadar dinheiro de forma fraudulenta. O suspeito recebia recursos por meio de vaquinhas virtuais, rifas, bazares beneficentes e doações diretas. O dinheiro, que deveria ser destinado ao tratamento oncológico, era utilizado para bancar viagens e um estilo de vida de ostentação. Segundo o delegado Victor Hugo Torres Bento, da 17ª Subdivisão Policial (SDP), de Apucarana, o suspeito enganou a própria família afirmando estar doente.

A investigação teve início há algumas semanas na 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana, após denúncias de vítimas desconfiadas das campanhas. Para dar credibilidade ao golpe, o homem falsificava documentos médicos e chegou a criar um perfil falso em um aplicativo de mensagens.

"Verificamos também que ele criou um perfil de um médico através da plataforma WhatsApp, em que esse suposto médico realizava contatos com várias pessoas indicando o tratamento que ele estaria realizando, falando sobre as necessidades, inclusive de necessidades financeiras para custear esse tratamento", detalhou o delegado Victor Hugo. A fraude era tão elaborada que até mesmo os familiares mais próximos do suspeito foram enganados e doaram dinheiro.

A farsa começou a ser desmontada quando a polícia oficiou os hospitais nos quais o homem alegava ser paciente, incluindo o Hospital do Câncer de Londrina, unidades em Cascavel e o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Nenhuma das instituições possuía registro de atendimento do suspeito.

Em vez de o suspeito frequentar clínicas médicas, o dinheiro das doações financiava lazer. "Nós verificamos que ele, na verdade, quando dizia e alegava que iria para Cascavel realizar tratamentos ou para São Paulo realizar tratamento, realizava passeios turísticos. Então, ele passeou na cidade de São Paulo em diversos restaurantes de alto padrão, fato que ele ostentou na própria rede social, assim como também ele foi para o Beto Carrero World", explicou o delegado.

Confrontado pela Polícia Civil durante o interrogatório na delegacia, o investigado admitiu o golpe, segundo o delegado. "Ele mesmo admitiu que realmente não realiza nenhum tratamento de leucemia", afirmou Victor Hugo.

Valores e novas vítimas

Até o momento, a polícia conseguiu rastrear cerca de R$ 5 mil obtidos de forma ilícita, oriundos de uma vaquinha online e de doações pontuais. No entanto, as autoridades acreditam que o montante total seja significativamente maior, devido às contribuições feitas em espécie e repassadas por familiares durante os cinco anos de atuação do golpista.

O homem responderá por estelionato e, possivelmente, por falsidade ideológica devido à falsificação dos atestados e à criação do falso médico. Como não houve flagrante, ele aguardará o andamento do processo em liberdade.

A Polícia Civil orienta que outras pessoas que tenham feito doações para o suspeito, especialmente moradores de Cambira, Mandaguari, Apucarana e região, procurem a 17ª SDP de Apucarana para registrar um boletim de ocorrência. "Cada doação feita indevidamente a partir desse golpe, dessa fraude, constitui um novo crime de estelionato. Entãom cada pessoa pode ter mais um crime de estelionato por ele praticado", concluiu o delegado.



Fonte: TN