O mercado do boi gordo encerrou a semana operando com negócios em ritmo lento, movimento comum para uma sexta-feira, destaca a Scot Consultoria. Frigoríficos compravam apenas o necessário para atender suas programações de abate, sem pressa por novas aquisições.
Nesta sexta-feira (19/6), das 33 praças monitoradas pela Scot, 21 não tiveram alterações nos preços do boi gordo na comparação diária. Outras 12 regiões registraram quedas nas cotações.
Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, o preço do boi gordo seguiu em R$ 348 a arroba para o pagamento a prazo. As cotações do “boi China”, da vaca e da novilha também não tiveram mudanças.
A consultoria Agrifatto aponta que, durante a semana, apesar da oferta ajustada e das escalas curtas, a pressão baixista sobre o boi gordo avançou, com queda da arroba na maioria das regiões. Pecuaristas seguem retendo animais, enquanto frigoríficos compram com cautela diante das incertezas externas. Para evitar maior retenção, as indústrias promovem recuos graduais nos preços.
Segundo a Scot, as exportações continuavam ocorrendo normalmente, sem problemas de abastecimento e escoamento. Já para o mercado interno, os compradores atuavam com cautela devido à expectativa de consumo mais fraco na segunda metade do mês.
Do lado da ponta vendedora, os criadores mantinham uma postura firme nas negociações e comercializavam seus lotes de maneira compassada, mantendo a oferta ajustada, o que ajudou a sustentar as cotações do boi gordo. Contudo, havia aqueles com mais apetite nas negociações, que buscavam garantir suas margens e já aceitavam preços abaixo das referências vigente, motivados principalmente pelo receio de quedas mais acentuadas no curto e médio prazo.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que, para os abates planejados para setembro, as projeções indicam a necessidade de ganho de carcaça diário (GCD) mais elevado para cobrir os custos da operação de confinamento. Sistemas com maior nível tecnológico continuam apresentando maior proteção frente às oscilações do mercado.
Segundo o Cepea, as estimativas apontam um GCD de equilíbrio em torno de 1,20 kg/dia para sistemas mais tecnificados, enquanto operações com menor nível tecnológico demandam aproximadamente 1,05 kg/dia. A diferença reflete uso de tecnologia, estratégias de manejo, eficiência produtiva e capacidade de diluição de custos.
Fonte: Globo Rural
Karoline
Foto: José Florentino/Globo Rural

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