Laudo aponta falhas em cmei no paraná após bebê sofrer queimaduras, diz advogado

Foto: Arquivo pessoal

O advogado da família do bebê de nove meses que sofreu queimaduras graves durante um banho no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Beatriz da Silva Pacheco, em Sarandi (PR), afirmou nesta sexta-feira (19) que um laudo da Polícia Científica de Maringá aponta indícios de imprudência e a existência de uma possível "gambiarra" no sistema de aquecimento de água da unidade. Segundo Bruno Brandão, a informação consta no documento pericial ao qual ele teve acesso.

O acidente, ocorrido na última terça-feira (16), deixou a criança com queimaduras de segundo grau na cabeça, rosto, ombro, tórax e braço, atingindo aproximadamente 18% do seu corpo. O bebê precisou receber medicação à base de morfina no atendimento inicial para conter as fortes dores e segue internado no Hospital Universitário (HU) de Maringá. Ele já foi submetido a duas cirurgias e tem um terceiro procedimento previsto para este domingo (21). Apesar do quadro grave e da possibilidade de transferência para uma unidade especializada em queimados, a família relata que a evolução clínica é positiva.

De acordo com o representante legal da família, o laudo técnico revela que o chuveiro envolvido no episódio havia sido instalado cerca de uma semana antes. O documento descreve a existência de instalações inadequadas, classificadas pelos próprios peritos como “instalações amadoras”, “condições de insegurança” e até mesmo uma “gambiarra”.

“A palavra gambiarra não é utilizada pela defesa nem pela família. É a própria perícia que usa esse termo para descrever a situação encontrada no local”, afirmou Bruno Brandão. De acordo com o advogado, o laudo também aponta elementos que indicariam imprudência na instalação elétrica relacionada ao sistema de aquecimento utilizado durante o banho da criança.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer a dinâmica exata do acidente e confirmar se o sistema improvisado teve relação direta com as lesões. Em depoimento preliminar, a servidora responsável por dar banho na criança alegou que ocorreu um problema repentino no equipamento, fazendo com que a água em temperatura extrema atingisse o bebê. Novas diligências e análises devem avaliar se o aquecedor possuía potencial para gerar a quantidade de água fervente necessária para provocar os ferimentos constatados.

Procurada, a Prefeitura de Sarandi informou, por meio da Secretaria Municipal de Educação, que ainda não foi notificada oficialmente sobre o laudo técnico. O município declarou que presta apoio contínuo aos familiares e que os servidores do CMEI estão passando por treinamentos de capacitação e segurança. Em nota oficial, a administração municipal ressaltou seu posicionamento diante do caso: “A Secretaria de Educação segue acompanhando o caso de perto e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações”.

Fonte: TN