Operação no Paraná mira mulheres que simulavam casamentos para repassar ordens de facção

Foto: Divulgação/MPPR

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o 5º Batalhão de Polícia Militar deflagraram, na manhã desta quinta-feira (18), uma operação em Londrina (PR) para desarticular uma rede de comunicação de uma grande facção criminosa. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão contra mulheres apontadas como interlocutoras de líderes do grupo detidos no Sistema Penitenciário Federal (SPF), responsáveis por repassar ordens da prisão para o ambiente externo.
As investigações revelaram que a organização criminosa utilizava o contato verbal durante as visitas presenciais para burlar o rigoroso esquema de segurança das unidades de segurança máxima. Na prática, conhecida no meio criminal como "bate-bola", as investigadas recebiam e difundiam as diretrizes da alta cúpula da facção, além de articular demandas de interesse do grupo. As apurações indicaram que as suspeitas moram no mesmo endereço, na região central de Londrina, e mantêm laços com familiares de outros criminosos de alta periculosidade.

Para expandir essa malha ilícita de comunicação, o grupo chegou a orquestrar um casamento fraudulento. Uma das investigadas, que já possuía status de visitante regular por ser esposa de um detento, viabilizou o matrimônio forjado de sua colega com outro líder da facção, atualmente recolhido na Penitenciária Federal em Brasília.

O casamento foi registrado formalmente em março de 2026, incluindo a alteração do nome civil da noiva. No entanto, registros oficiais do sistema prisional atestaram que a mulher nunca havia visitado o interno, evidenciando a total ausência de vínculo afetivo. O objetivo exclusivo da união era preencher os requisitos normativos de visitação, criando um novo canal legal para o trânsito de ordens da liderança.

Expedidos pelo Juízo das Garantias da 3ª Vara Criminal de Londrina, os mandados judiciais autorizaram buscas no domicílio compartilhado pelas suspeitas e buscas pessoais. A Justiça determinou a apreensão de aparelhos eletrônicos, armas, dinheiro em espécie, documentos e bens adquiridos com proveitos ilícitos, materiais que agora passarão por perícia para auxiliar no aprofundamento do caso.



Fonte: TN