Rejeitada pela mãe, filhote de canguru é 'adotada' por bióloga do Animália Park e ganha bolsa artificial

Foto: Animália Park

Uma filhote de canguru-vermelho foi rejeitada logo após o nascimento, e está recebendo acolhimento de uma bióloga, que se tornou sua segunda mãe. O caso foi registrado pela equipe de monitoramento do Animália Park, em Cotia, na Grande São Paulo.

A bióloga é Thais Gomes Amaral, especialista em bem-estar animal e coordenadora do setor de aves e filhotes do Animália Park. Ela conta que a situação é considerada incomum, mas pode acontecer com qualquer espécie. Após as 24 horas, a canguru foi recolhida pela equipe, que realizou algumas tentativas de reinserção do filhote na bolsa materna, sem sucesso.

Após a rejeição, a bebê, que ganhou o nome de Eevee e está com cerca de 5 meses, passou a ser mantida em uma bolsa de tecido adaptada, utilizada para simular a bolsa materna. Segundo Thais, o acessório é forrado com feltro, por ser um material semelhante ao pelo do canguru, e é utilizado durante todo o manejo diário para tentar reproduzir as condições naturais da espécie. O animal permanece grande parte do tempo com a bióloga, sendo transportada na bolsa ao longo da rotina.

“É uma situação incomum. A expectativa é sempre que a mãe cuide do filhote, e fazemos de tudo para que esse vínculo seja mantido, porque o desenvolvimento ao lado da mãe tende a ser muito melhor do que quando o animal precisa ser criado pela equipe. Como responsável pelo departamento, acompanho a filhote integralmente há cerca de 40 dias”, afirmou. Isso mesmo: Thais está morando todo este tempo no Animália Park com a canguruzinha.

O caso é semelhante ao registrado em outros zoológicos, como o de um filhote de macaco-japonês rejeitado pela mãe em um zoológico no Japão, que recebeu cuidados humanos intensivos e chamou a atenção ao aparecer em imagens abraçado a uma pelúcia.

A filhote recebe alimentação por mamadeiras, em intervalos de duas a três horas, como ocorre na fase inicial da espécie -- e também muito similar a um bebê humano.

De acordo com a bióloga, Eevee ainda não consome alimentos sólidos, mas já iniciou a introdução de novos sabores com suco de cenoura. “Ela chegou com 900 gramas e hoje está com cerca de 3,3 kg, com uma curva de crescimento dentro do esperado”, afirmou Thais.

Nesta fase, a filhote também começou a sair por curtos períodos da bolsa para explorar o ambiente, por cerca de 15 a 20 minutos.

Segundo a bióloga, o animal depende de contato constante com uma figura materna, já que, na natureza, permaneceria praticamente todo o tempo na bolsa da mãe.

“Ela não fica sozinha. Quando percebe a ausência, vocaliza e fica agitada, o que é natural”, disse Thais. A expectativa é que o cuidado direto continue até aproximadamente 1 ano de idade.

Segundo a bióloga, o manejo de filhotes exige o acompanhamento individualizado e a continuidade de cuidados por um único responsável sempre que possível. “Cada animal responde de uma forma. Por isso, o manejo precisa ser adaptado e feito com o mínimo de rotatividade de cuidadores”, afirmou.

Thais ressalta que o filhote apresenta uma evolução positiva. A expectativa é a de que, após o período de adaptação e o ganho de imunidade e autonomia, ela seja integrada ao recinto dos cangurus.


Fonte: G1