Luiz Henrique realiza sonho na Copa após trajetória marcada por desafios e determinação

Foto:Sarah Stier / Getty Images

Saiu do Vale do Carangola, região de dois mil habitantes de Petrópolis, um campeão de CONMEBOL Libertadores e que se prepara para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. Alguém que sempre mostrou talento, precisou "desafiar" a mãe e está a poucos dias de cumprir uma profecia do pai.

A resumida história contada acima é de Luiz Henrique, ponta que joga no Zenit, da Rússia, e personagem de mais um capítulo da série publicada pela ESPN, com a trajetória daqueles que disputarão o Mundial nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

Nascido na região serrana do Rio de Janeiro, Luiz Henrique possui origem humilde como a maioria dos jogadores de futebol do Brasil. Morava em uma casa pequena com os pais e irmãos, que dividiam um quarto montado com duas beliches.

"A gente dormia tudo junto ali", conta Marcos Cipriano, irmão do atacante e companheiro desde sempre no futebol. "Sempre falou que ia ser jogador. Tanto que ele não sabe brincar de carrinho, soltar pipa. O que ele sabe é andar de cavalo e jogar bola. Só fazia isso".

Escola? Não era muito a praia do pequeno Luiz. "Já cheguei a fazer dever dele", completa Natiele Carvalho, a irmã, que entrega o hoje jogador da Seleção da mesma maneira que Luceli Gomes, uma antiga professora. "Era um garoto sorridente, alegre, brincalhão. Estava sempre de bem com a vida. Mas era da turma do fundão, com certeza".,

A alegria demonstrada sempre no largo sorriso estampado no rosto ficava mais evidente fora da escola. Nos campos de terra de Petrópolis, Luiz Henrique mostrava quem de fato era: um fã incondicional de Lionel Messi e que já demonstrava o quanto poderia ir longe.

"Eu sabia que ele era diferente, que jogava muito. Eu levava para jogar fora e o próprio pessoal dizia: nossa, esse era bom. E a camisa dele era sempre a 10", divide Luiz Fernando, primeiro técnico do garoto.

A chance de mostrar a qualidade com a bola nos pés surgiu cedo. Aos nove anos, passou a jogar na base do Fluminense, apesar da longa viagem até Xerém que quase o fez trocar o futebol por outro esporte. A mãe, dona Luciele Rosa, foi contrária de início, mas recebeu um ultimato do filho.

"Ele falou que eu não iria tirar este sonho dele", revelou a mãe, que temia ver um filho tão novo, ainda criança, em um mundo completamente desconhecido. "Não queria deixar".

O pai pensava diferente. Apesar do mesmo temor, Luiz Carlos via um talento diferenciado em Luiz Henrique, a ponto de dizer que, um dia, ele jogaria uma Copa do Mundo.

O atacante se profissionalizou no futebol em 2020, quando começou a fazer parte do elenco de cima do Fluminense. Saiu em 2022 para o Betis, no mesmo ano em que o pai faleceu devido a uma parada cardíaca. Coube a Luiz Henrique seguir a vida da melhor maneira possível.

Do Betis, a chance de passar alguns meses no Botafogo e ser campeão do Brasileirão e da Libertadores. De lá, uma transferência para o Zenit e a oportunidade de novamente abrir as portas da Europa. E também da Seleção Brasileira. Chamado por Ancelotti para a Copa, ele tem a chance de se provar e mostrar que o pai estava certo.



Fonte: ESPN