Programas de pós-graduação das universidades estaduais têm alto padrão internacional

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As universidades estaduais do Paraná ampliaram a qualidade dos programas de pós-graduação stricto sensu na Avaliação Quadrienal 2021–2024 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), divulgada no final de maio. O Sistema Estadual de Ensino Superior do Paraná passou a contar com 16 programas com notas 7 e 6, os mais altos da escala, que indicam um padrão de excelência internacional para os cursos de mestrado e doutorado. Na avaliação anterior (2017–2020) eram 13 nessa faixa, o que significa um aumento de 23%.

Nesta edição, foram analisados 171 programas das universidades estaduais paranaenses, quatro a mais que na avaliação anterior. Entre os principais destaques, está o ingresso de três programas na faixa 6, antes classificados com nota 5: Ciências Biológicas e Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM); e Odontologia, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Além do ingresso de novos programas no grupo de excelência, o resultado oficial e definitivo da avaliação, que sucedeu a divulgação preliminar ocorrida em janeiro deste ano, mostra uma melhora consistente no patamar intermediário. O conjunto de programas com notas 5 e 4, considerados muito bom e bom, cresceu de 119 para 133, um aumento de 12%. Ao mesmo tempo, os programas com nota 3 caíram de 35 para 21, o que reforça uma tendência de melhoria dos padrões na pós-graduação nas estaduais paranaenses.

Para o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Aldo Nelson Bona, os resultados dessa avaliação evidenciam o salto qualitativo da pós-graduação do sistema estadual. “Isso denota a maturidade acadêmica das nossas instituições e o reflexo dos investimentos que ampliamos nos últimos anos em ciência, tecnologia e inovação no Paraná, com apoio à infraestrutura de laboratórios, às pró-reitorias de pesquisa e pós-graduação e aos novos arranjos de pesquisa e inovação”, afirma.

Ele destaca que a pós-graduação paranaense consolida a relevância científica e social, formando pesquisadores em programas que respondem às demandas da sociedade. “Este é um dos sistemas de pós-graduação mais respeitados do mundo, e esse resultado só é possível graças ao trabalho de docentes e de toda a comunidade acadêmica”, disse o secretário. “Esse movimento reflete o compromisso com a excelência acadêmica e o desenvolvimento do conhecimento aplicado, tornando os programas do Paraná referências de excelência internacional”.

Juntas, as sete instituições de ensino superior da rede estadual somam 11.622 alunos matriculados em programas de pós-graduação stricto sensu, sendo 7.153 estudantes em 208 cursos de mestrado e 4.469 em 105 de doutorado. Esses cursos são ofertados em diferentes regiões do Paraná e abrangem as áreas da saúde, ciências biológicas, agrárias, exatas, humanas e sociais aplicadas, formando pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do estado.

DESTAQUES – Com 43 classificados, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) lidera entre os programas com a nota máxima (7): Biotecnologia; Ciência Animal; Ciências da Saúde; Ensino de Ciências e Educação Matemática; e Patologia Experimental; além de um com nota 6, Agronomia. A Universidade Estadual de Maringá (UEM) soma 45 programas classificados, sendo dois com nota 7 (Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais e Zootecnia) e seis com nota 6 (Agronomia, Ciências Biológicas, Enfermagem, Engenharia Química, Física e Letras).

Segundo a professora Maria Aparecida Salci, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UEM, a pós-graduação tem um papel estratégico na relação entre ciência e sociedade. “A pós-graduação aproxima a produção científica dos desafios sociais e faz com que as pesquisas respondam a demandas concretas, como a melhoria da saúde, a gestão pública, a inclusão social, o desenvolvimento regional e a inovação produtiva para a região, o estado e o país, ampliando o impacto da ciência na vida da população no cotidiano”, disse.

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) tem 21 programas classificados, com destaque para Odontologia, que alcançou a nota 6. A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) soma 33 programas classificados, mantendo o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócio com nota 6. Completam a lista a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), com 14 programas; a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), com seis; e a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), com nove.

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da UEPG, Nara Hellen Campanha Bombarda, diz que a pós-graduação stricto sensu amplia sua abrangência ao alcançar padrões internacionais. “Isso significa parcerias com outros países para intercâmbios e colaborações globais, além da formação de mestres e doutores capacitados para atuar em redes de pesquisa no Brasil e no Exterior. A partir do contato com desafios reais, são desenvolvidos produtos, materiais e protocolos para atender às demandas da sociedade”.

AVALIAÇÃO – Promovida a cada quatro anos, a Avaliação Quadrienal da Capes, órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), é um processo de análise que certifica a qualidade dos programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil. O objetivo é verificar se os cursos de mestrado e doutorado cumprem padrões acadêmicos e científicos necessários, além de orientar políticas para o desenvolvimento da pesquisa e da formação de alto nível no país. Este é o terceiro ciclo nesse formato, já que antes as análises eram feitas a cada três anos.

Fonte: AEN