Mandados de prisão preventiva, buscas e bloqueio de bens foram cumpridos nesta terça-feira (2) durante a segunda fase da Operação Miragem, que investiga um esquema de loteamentos clandestinos em Ibiporã, no Norte do Paraná. Os alvos são suspeitos de integrar uma associação criminosa envolvida em crimes como lavagem de dinheiro, fraude processual, falsidade ideológica e intimidação de agentes públicos.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, investimentos e bens dos investigados até o valor de R$ 3,5 milhões. O montante corresponde ao prejuízo estimado causado pelo esquema e poderá ser utilizado para ressarcir famílias que adquiriram terrenos nos empreendimentos investigados.
Terrenos vendidos sem autorização
Segundo as investigações, um dos principais alvos seria responsável pela implantação e comercialização do loteamento clandestino Recanto Água Bonita, localizado em área rural de Ibiporã.
Outro investigado é apontado como responsável pelo loteamento Recanto dos Sonhos, também em área rural do município. Neste caso, o empreendimento possuía 23 lotes comercializados de forma irregular.
De acordo com o Ministério Público, dezenas de famílias adquiriram terrenos acreditando na regularidade dos empreendimentos.
Suspeitos teriam escondido contratos
As investigações apontam que, após uma decisão judicial determinar a paralisação das vendas e a apresentação dos contratos firmados com compradores, os investigados passaram a ocultar provas.
Conforme o Gaeco, documentos físicos teriam sido retirados e escondidos em uma propriedade rural. Já arquivos digitais relacionados aos negócios teriam sido apagados.
Mesmo assim, os suspeitos informaram à Justiça que a documentação havia sido perdida devido a problemas em equipamentos de informática.
Esquema para continuar recebendo dinheiro
Outro ponto investigado envolve a movimentação financeira do grupo.
Mesmo proibidos judicialmente de receber valores referentes aos loteamentos, os suspeitos teriam continuado cobrando parcelas dos compradores.
Para evitar bloqueios, uma empresa teria sido aberta em nome de uma familiar de um dos investigados. Os compradores eram orientados a realizar depósitos e transferências para contas ligadas a essa empresa ou ao escritório de advocacia de uma das investigadas.
O rastreamento financeiro apontou que os recursos acabavam sendo transferidos para contas pessoais dos envolvidos.
Ameaças contra promotor e fiscais
As apurações também revelaram episódios de ameaças e intimidação.
Segundo o Ministério Público, um dos investigados chegou a afirmar, em mensagens de áudio, que faria o promotor responsável pelo caso "sumir". Também foram identificadas tentativas de monitoramento da vida pessoal da autoridade e de familiares.
As investigações apontam ainda conversas sobre possíveis atos de violência contra fiscais municipais envolvidos na fiscalização dos loteamentos e até mesmo contra o Fórum de Ibiporã.
Fonte: Catve
Foto: CATVE

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