Estado acelera investimentos e novas pontes substituem balsas do Paraná

Foto: AEN

Durante décadas, atravessar rios por balsa fez parte da rotina de milhares de paranaenses. Em diferentes regiões do Estado, moradores precisavam aguardar embarcações, enfrentar interrupções causadas pelo clima e conviver com longos desvios para chegar ao trabalho, acessar serviços públicos, transportar produção agrícola ou visitar cidades vizinhas. Agora, essa realidade vem mudando com uma série de obras estruturantes executadas pelo governo estadual.

Somente nesta semana, o governador Carlos Massa Ratinho Junior autorizou a construção de duas novas pontes em regiões historicamente afetadas pela dependência de balsas. Uma delas vai ligar Godoy Moreira e Barbosa Ferraz, no Vale do Ivaí, com investimento de R$ 29,9 milhões. A outra será construída entre Jardim Alegre e Grandes Rios, sobre o Rio Ivaí, com aporte de R$ 27,8 milhões.

As duas intervenções simbolizam um movimento maior do Estado para substituir travessias improvisadas ou limitadas por conexões definitivas, mais rápidas e seguras. Nos últimos dois anos, o Paraná firmou 46 convênios para construção de pontes em todas as regiões. Paralelamente, dezenas de outras estruturas de pequeno e médio porte foram incorporadas à malha rodoviária estadual.

O Estado também implantou um sistema inédito de gestão e monitoramento dessas estruturas. Atualmente, o Paraná possui quase 900 pontes, todas submetidas a acompanhamento técnico permanente. Somente as ações de recuperação e manutenção em estruturas já existentes consumiram R$ 120 milhões até abril deste ano, contemplando 188 pontes.

MAIS RECENTES – Em Godoy Moreira e Barbosa Ferraz, a nova ligação vai dar fim a uma espera de anos da população local. Hoje, moradores, trabalhadores e produtores rurais dependem diariamente de uma balsa que opera há mais de duas décadas sobre o Rio Corumbataí. Com o desgaste da embarcação, os custos de manutenção aumentaram e os riscos operacionais se tornaram mais frequentes. Quando a travessia não está disponível, o trajeto alternativo chega a aproximadamente 70 quilômetros.

Situação semelhante ocorre entre Jardim Alegre e Grandes Rios. Atualmente, quem precisa se deslocar entre municípios da região central e do Vale do Ivaí enfrenta um percurso longo e demorado por falta de uma ligação direta sobre o Rio Ivaí. O trajeto entre Ivaiporã e Grandes Rios, por exemplo, exige mais de 80 quilômetros de viagem. Com a nova ponte, a distância cairá para cerca de um terço do percurso atual, reduzindo o tempo de deslocamento para aproximadamente 20 minutos.

Na semana anterior, em 14 de maio, outra obra estratégica foi anunciada no Sudoeste do Paraná. A futura ponte entre Verê e São Jorge D’Oeste vai substituir uma travessia por balsa utilizada há mais de 60 anos no Rio Chopim. Com investimento de R$ 45 milhões, a estrutura deve eliminar um dos principais entraves logísticos da região.

Além da ponte, o projeto inclui acessos pavimentados que totalizam mais de 1,5 quilômetro. Hoje, sem uma ligação fixa, moradores e transportadores dependem da balsa ou precisam fazer grandes desvios passando por Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, aumentando custos e tempo de viagem.

No Noroeste, outra espera histórica começou a sair do papel neste ano. Em março, o Governo do Estado lançou a pedra fundamental da ponte entre Japurá e São Carlos do Ivaí, sobre o Rio Ivaí. A obra, orçada em R$ 71,6 milhões, encerra uma demanda de quase 40 anos da população regional.

Na medição de abril, a obra chegou a pouco mais de 19% de execução, com esforços concentrados na fabricação de peças de concreto no canteiro de obras. Também começaram a cravar as estacas da fundação da estrutura, etapa importante para estabilizar a região onde ficará a infraestrutura da ponte.

Atualmente, em períodos de cheia do rio, a travessia por balsa precisa ser interrompida por segurança, obrigando motoristas a realizar desvios de cerca de 50 quilômetros. A nova estrutura foi projetada justamente para evitar interrupções mesmo em períodos de elevação do nível do rio, garantindo uma solução permanente para a ligação entre os municípios.

LITORAL – A transformação também chegou ao Litoral do Estado. Há menos de um mês, o Governo do Paraná entregou a Ponte de Guaratuba, considerada uma das maiores obras de infraestrutura da história paranaense. Após mais de 60 anos de espera, moradores, comerciantes e turistas passaram a contar com uma ligação fixa entre Guaratuba e Matinhos.

Com 1.240 metros de extensão e investimento superior a R$ 400 milhões, a ponte substitui gradualmente a travessia por ferry boat iniciada nos anos 1960. O deslocamento, que antes dependia das condições da baía e da fila de embarque, agora pode ser feito em cerca de dois minutos. Além das quatro faixas de tráfego, a estrutura possui ciclovia, espaço para pedestres e acessos que ultrapassam três quilômetros de extensão.

Outro exemplo dessa mudança ocorreu em Paranaguá, com a inauguração da ponte que conecta a Ilha dos Valadares ao continente. Entregue em setembro de 2024, a estrutura representa uma transformação histórica para mais de 30 mil moradores do maior bairro da cidade.

Antes da obra, o acesso de veículos dependia exclusivamente de balsa, enquanto pedestres utilizavam uma passarela. Agora, a ponte permite a circulação de automóveis e transporte urbano, aproximando a população de serviços de saúde, escolas e do Centro de Paranaguá.

Fonte: AEN