O Governo do Paraná estima economizar cerca de R$ 400 milhões ao contratar a operação de crédito internacional, sancionada na última semana, de US$ 100 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para fortalecer o Fundo Estratégico do Paraná (FEPR). A projeção foi apresentada durante a primeira reunião do Conselho Gestor do FEPR, realizada terça-feira (19).
Na prática, isso significa que contratar o financiamento externo é mais vantajoso do que utilizar recursos próprios do caixa estadual, permitindo ao Paraná investir de forma mais moderna, eficiente e estratégica, ampliando sua capacidade de atrair empresas, gerar empregos e fomentar setores-chave da economia.
De acordo com a análise elaborada pela Coordenação de Gestão da Dívida Pública (CDP) do Tesouro Estadual na Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), essa alternativa preserva a liquidez, mantém rentabilidade financeira e amplia investimentos em desenvolvimento econômico, sustentabilidade e inovação. “A operação de crédito muitas vezes é vista de forma equivocada, como sinônimo de endividamento negativo. Mas muitas vezes ela é uma ferramenta que permite ao Paraná manter os investimentos e impulsionar o desenvolvimento sem comprometer a saúde financeira do Estado”, explica o secretário da Fazenda Norberto Ortigara.
A operação, aprovada pela Lei nº 23.193/2026, prevê a destinação de US$ 95 milhões à capitalização do Fundo Estratégico e outros US$ 5 milhões à estrutura de gestão e governança do programa. O Estado também fará uma contrapartida de US$ 50 milhões, com liberação dividida em três etapas.
Em termos financeiros, o custo estimado da operação com o BID será de aproximadamente R$ 894 milhões, enquanto a utilização de recursos internos vinculados ao CDI teria custo projetado de R$ 1,3 bilhão. A diferença representa uma economia potencial de R$ 400,62 milhões para os cofres públicos.
Além disso, o custo anual do financiamento junto ao BID é estimado em 5,46% ao ano, percentual inferior ao rendimento atual do caixa estadual, atrelado ao CDI, que alcança 14,71% ao ano em 2025. Mesmo considerando possíveis variações cambiais, a avaliação técnica é de que o diferencial entre as taxas mantém a operação financeiramente vantajosa. Ou seja, o Estado paga juros menores, enquanto o dinheiro em caixa continua rendendo juros maiores.
Essa operação permite ao Fundo Estratégico impulsionar o desenvolvimento socioeconômico com responsabilidade fiscal e ambiental. Os recursos serão direcionados principalmente para pequenas e médias empresas (PMEs) exportadoras, empresas com potencial exportador e negócios integrados às cadeias produtivas voltadas ao comércio exterior.
Os investimentos deverão ocorrer por três modalidades: financiamento direto, por meio de concessionários; cofinanciamento; e matching grants, modalidade não reembolsável.
Entre as áreas prioritárias para aplicação dos recursos estão infraestrutura sustentável, agro e bioeconomia, inovação e tecnologia, indústria e serviços. O objetivo é sempre trazer desenvolvimento socioeconômico considerando os aspectos regionais e a integração produtiva do Paraná com o mundo e de forma sustentável fiscalmente.
A operação também envolve uma série de exigências técnicas e de governança estabelecidas pelo BID, como a criação de uma Unidade Gestora do Programa, auditoria externa independente, definição de indicadores de impacto e resultado, monitoramento contínuo dos projetos e alinhamento às exigências internacionais de sustentabilidade e ESG.
“A iniciativa amplia a capacidade de investimento sem comprometer o caixa do Estado e expande o seu alcance através do Fundo Estratégico do Paraná. Assim, permitindo que o Paraná preserve sua gestão fiscal e a rentabilidade financeira e continue se desenvolvendo”, afirmou João Marques, Diretor Adjunto do Tesouro Estadual.
FUNDO SOBERANO – O Fundo Estratégico é um mecanismo voltado a impulsionar o desenvolvimento socioeconômico com responsabilidade fiscal e ambiental. O FEPR será estruturado em três frentes principais: a Reserva Estratégica, voltada ao apoio de projetos e parcerias de investimento; a Reserva Fiscal, destinada à estabilidade financeira e discal; e a Reserva de Desastres, que permitirá respostas rápidas a eventos climáticos e outros desastres e ações de reconstrução.
Fonte: AEN
Foto: AEN

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