Vorcaro teria pago influenciadores para atacar o Banco Central, aponta investigação

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A investigação sobre a ofensiva digital contra o Banco Central revelou uma estrutura de pagamentos milionários a influenciadores, páginas de notícias e perfis de redes sociais ligados ao chamado “Projeto DV”, associado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Segundo documentos obtidos pela apuração, a operação foi montada após o BC barrar a compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). O principal alvo das publicações era o então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da autarquia, Renato Gomes, cuja área técnica recomendou o veto ao negócio.

Os contratos foram intermediados pela agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda, responsável por coordenar conteúdos, sugerir manchetes e definir o tom das publicações de acordo com cada perfil. O material previa textos, vídeos curtos para Instagram e até orientações específicas sobre linguagem e abordagem.

A Polícia Federal identificou cerca de 40 perfis que teriam participado da campanha.

Os documentos mostram que a empresa Super Empreendimentos, ligada a Vorcaro, transferiu R$ 3,5 milhões para contas de Thiago Miranda entre o fim de dezembro de 2025 e os primeiros dias de janeiro deste ano. Em seguida, os valores foram distribuídos aos influenciadores e páginas contratadas.

Entre os maiores repasses aparece a empresa do apresentador Luiz Bacci, que teria previsão de receber R$ 500 mil mensais por seis meses para a publicação de conteúdos nas redes sociais. Bacci confirmou relação comercial com a agência, mas afirmou não comentar detalhes dos contratos.

Outro nome citado é o influenciador Artur Moreno Martins, ligado à página Deu Buzz, também contemplado com previsão de R$ 500 mil.

O perfil Alfinetei aparece nos documentos com repasses de R$ 500 mil, enquanto o Cardoso Mundo teria recebido R$ 200 mil. O responsável pela página confirmou relação comercial com a agência, mas negou qualquer vínculo direto com Vorcaro ou com o Banco Master.

Já o perfil Marcelo Rennó teria recebido R$ 78 mil. Em manifestação, a empresa responsável afirmou que os pagamentos se referem a serviços formalizados e sem relação com campanhas coordenadas.

O portal GPS Brasília também integra a lista de beneficiários. O contrato previa R$ 100 mil mensais para produção de conteúdos em site e Instagram. Parte das publicações reproduziu críticas direcionadas à atuação de Renato Gomes no Banco Central.

Outro perfil citado é o Not Journal, que teria firmado acordo para postagens em tom “institucional” e “acadêmico”, conforme descrito nos documentos do projeto. Textos publicados pela página criticavam diretamente decisões tomadas pela diretoria do BC durante a análise do caso Master.

Entre as mensagens sugeridas pela agência estavam frases como “Renato Gomes sai, mas o estrago no mercado financeiro fica” e “Fim da gestão Renato Gomes: um erro caro para o sistema financeiro”, posteriormente reproduzidas em redes sociais.

Fonte: Claudio Dantas