Dia Mundial da Anta: memória de elefante e papel de gigante na natureza

Foto: Itaipu

Um animal discreto e essencial, mas cercado de estigmas, recebe os holofotes. Nesta segunda-feira (27) é celebrado o Dia Mundial da Anta. A data tem a finalidade de promover a conscientização sobre a conservação dessa importante espécie para a natureza e que sofre ameaça de extinção.

Para marcar esse importante dia, a Itaipu Binacional promoveu uma atividade de enriquecimento ambiental no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), em Foz do Iguaçu. É uma ação que estimula o comportamento natural por meio de desafios durante a alimentação. “As antas ganharam um banquete especial, com alimentação servida de um jeito diferente. Penduramos alimentos, com folhas e flores de hibiscos, que elas adoram”, disse Fabiana Stamm, zootecnista da Itaipu.

Segundo ela, “o enriquecimento ambiental torna a obtenção do alimento mais desafiadora e estimuladora, incentivando o comportamento natural dos animais de busca e exploração e, consequentemente, aumentando o seu grau de bem-estar”.

O Refúgio Biológico da Itaipu é um centro de referência no manejo e reprodução de antas. O primeiro filhote nasceu no local em 1986, uma fêmea batizada de Chica. De lá para cá, foram 37 nascimentos. O último, inclusive, é bem recente. Na quarta-feira da semana passada (22) mais uma fêmea nasceu no RBV. Ela faz parte da 7ª geração desde o início do programa de reprodução. 

Um fato interessante é que o Refúgio da Itaipu registrou o primeiro nascimento de antas gêmeas conhecido na história. Em 2011, nasceram Amada e Bill, filhos da anta Zefa. É algo raríssimo, uma vez que a reprodução ocorre normalmente de filhote único.

O plantel atual no RBV é de 25 antas e algumas vão integrar um programa de soltura, na Reserva Ecológica de Guapiaçu, no Rio de Janeiro, ainda neste ano, em parceria com o Projeto Refauna. “Apesar de sua importância ecológica, as antas enfrentam sérios riscos de extinção devido ao desmatamento, queimadas, atropelamentos e fragmentação de habitat. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica a espécie como ‘vulnerável’, destacando a necessidade urgente de ações de conservação para sua proteção”, advertiu Fabiana.

Sobre a espécie

Existem quatro espécies desse animal no mundo: a anta-brasileira, a anta-da-montanha (encontrada nos Andes), a anta-centro-americana (localizada nos países da América Central) e a anta-asiática (que vive na Indonésia, Malásia, Mianmar e Tailândia). 

É um dos mais antigos habitantes do nosso planeta, com fósseis datados de 2,5 a 1,5 milhão de anos atrás. A ciência também reconhece a anta como uma espécie guarda-chuva, ou seja, se as áreas onde vivem forem conservadas, várias outras espécies também serão beneficiadas. Além disso, ocupa áreas de em média 800 hectares, transportando sementes de um local para outro. Por isso tem a reputação de ser a “jardineira da floresta”. 

A anta-brasileira (Tapirus terrestris) é o maior mamífero terrestre da América do Sul. As fêmeas normalmente são maiores que os machos. Pesam entre 180 kg e 295 kg, com pouco mais de um metro de altura e medindo cerca de dois metros de comprimento. Tem um ciclo reprodutivo considerado longo, com gestação levando de 11 a 13 meses e intervalos entre nascimentos de até três anos. A espécie vive de 25 a 30 anos.

É um animal herbívoro, com dentes fortes e uma pequena tromba móvel, que é sensível ao toque e ajuda na alimentação. Apesar da visão ruim, é boa de audição e tem ótimo olfato. A pelagem é espessa e resistente, o que ajuda na proteção contra predadores e vegetação densa. 

Uma característica que muitos desconhecem é que a anta é um animal inteligente, na contramão da falaciosa reputação entre os humanos. Estudos indicam que elas possuem uma alta concentração de neurônios, conferindo-lhes uma memória excepcional, comparável à dos elefantes. 

Muito além dos estigmas, a anta é um animal inteligente e essencial para o equilíbrio ambiental, além de uma aliada silenciosa na preservação das florestas.

Fonte: Itaipu