Suspeito de matar ex-esposa no Paraná é capturado no Paraguai após três décadas foragido

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Condenado a mais de 20 anos de prisão pelo assassinato da ex-esposa Fernanda Estruzani Panissa, morta com 72 facadas, Marcos Panissa foi preso no início da tarde desta quarta-feira (15) em Assunção, no Paraguai. Considerado foragido desde 1995 e alvo de um mandado na lista vermelha da Interpol, ele aguarda agora os trâmites oficiais que definirão a data de sua transferência para o Brasil. O crime, que chocou a cidade de Londrina, no norte do Paraná, ocorreu em 6 de agosto de 1989 e chegou a ser reconstituído pelo programa Linha Direta, da TV Globo.

Na época do homicídio, Marcos tinha 23 anos e confessou a autoria do crime. A motivação declarada foi o ciúme, por não aceitar que Fernanda, de 21 anos, estivesse iniciando um novo relacionamento. A partir da confissão, iniciou-se uma longa e conturbada batalha judicial. A primeira condenação ocorreu em 1991, fixando a pena em 20 anos e seis meses de prisão. Contudo, valendo-se de um recurso da época, a defesa garantiu um segundo julgamento no ano seguinte, que reduziu a sanção para nove anos. O Ministério Público recorreu dessa segunda decisão, apontando composição irregular do conselho de sentença e decisão em desacordo com as provas dos autos, o que levou à anulação do júri.

Como respondia a todo o processo em liberdade, Panissa deveria comparecer a um terceiro julgamento marcado para 1995. Diante de sua ausência no tribunal, a Justiça decretou sua prisão preventiva, dando início a uma fuga que se estenderia por 31 anos. O desfecho legal do caso só foi possível em 2008, amparado por uma mudança na lei que passou a permitir o julgamento à revelia. Sem a necessidade de sua presença no plenário, o réu foi sentenciado em definitivo a 20 anos e seis meses de prisão, pena que permaneceu sem execução devido ao seu paradeiro desconhecido.

A captura realizada nesta quarta-feira afasta o risco de impunidade que rondava o caso. Em 2018, a juíza Elisabeth Khater havia alertado no processo que o crime prescreveria em novembro de 2028 caso o assassino não fosse localizado, inviabilizando o cumprimento da pena. Na mesma ocasião, a magistrada solicitou a prorrogação do alerta de Difusão Vermelha junto à Interpol, ferramenta de cooperação policial internacional que, anos depois, culminou na localização e prisão do foragido.


Fonte: Tnonline