Esquema envolvendo MC Ryan utilizava fintech com ligação Chinesa

Foto: Metropoles

O esquema bilionário de lavagem de dinheiro supostamente chefiado por Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, utilizou uma fintech administrada por imigrantes chineses para pulverizar centenas de milhões de reais.

A Golden Cat Processamento de Pagamento foi fundada em 2023 em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, e concentra transações envolvendo jogos de azar, as bets. A instituição nunca recebeu autorização do Banco Central para funcionar.

O elo entre a fintech e o esquema envolvendo Ryan é detalhado em decisão do juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, que autorizou a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (15/4). A ação busca cumprir 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária.

Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze, Raphel Sousa Oliveira, dono da página Choquei, e Ryan foram presos temporariamente.

Finteth é “topo da infraestrutura financeira” de esquema

De acordo com a investigação, a Golden Cat aparece no “topo da infraestrutura financeira” do esquema que pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões, como estima a PF.

Controlada atualmente por Xizhangpeng Hao, a fintech “surge como grande processadora de pagamentos que movimenta centenas de milhões de reais e funciona como eixo central para arrecadação de recursos provenientes de apostas ilegais”, diz a decisão da Justiça Federal. Em seguida, os valores multimilionários eram repassados para empresas de associados à estrutura criminosa, além de encaminhar remessas para fora do país.

Diante dos elementos identificados pela investigação, a Justiça decretou a prisão temporária de Xizhangpeng Hao, de Sun Chunyang (ex-sócio administrador da fintech) e de Jiawei Lin, destinatário dos valores enviados para o exterior.

Irmão caçula de Ryan divulgava bets

Poucas horas antes da operação ser deflagrada, Mateus Eduardo Magrini Santana, irmão caçula do MC Ryan SP, divulgou uma casa de apostas por meio de stories no Instagram.

Mateus — que é filho de Eduardo Magrini, conhecido como Diabo Loiro, preso em outubro do ano passado por suspeita de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) — é apontado pela PF como operador e movimentador de recursos da organização criminosa investigada na Narco Fluxo.

Ele atuava na divulgação de plataformas de jogos de azar, as bets, exploradas pelo grupo.

Na noite dessa terça-feira (14/4), poucas horas antes da operação ser deflagrada, Mateus divulgou jogos por meio de stories no Instagram. Veja abaixo:

Ele também era um dos receptores das quantias volumosas de dinheiro geradas pelo esquema.

Devido aos indícios de envolvimento na estrutura criminosa, a Justiça determinou a prisão temporária de Mateus, bem como o bloqueio de bens e ativos financeiros, além da quebra de sigilo telemático.

Operação Narco Fluxo

Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.

De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.

Entre os presos na operação desta quarta estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.

O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.

De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf“.

Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.

As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Envolvidos se manifestam

Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento.

“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”. A defesa ainda afirmou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.

Já os advogados de MC Poze divulgaram a seguinte nota: “A defesa de Marlon Brandon [nome de batismo de Poze] desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, informou o texto.

A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, não foi localizada. O espaço está aberto.


Fonte: Metropoles