Unioeste recruta mulheres com fibromialgia para estudo com cannabis

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A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus Cascavel, está recrutando mulheres diagnosticadas com fibromialgia para participarem de um estudo clínico que avalia o uso da cannabis medicinal como alternativa terapêutica para o tratamento da doença. A iniciativa, pioneira no âmbito da instituição, é desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências Farmacêuticas, do Centro de Ciências Médicas e Farmacêuticas.

O estudo é conduzido pela farmacêutica e mestranda Luiza Regina Voigt, sob orientação do professor Élcio José Bunhak, em parceria com o Laboratório de Cannabis Medicinal e Ciência Psicodélica (LCP) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e com a Associação Santa Cannabis, de Santa Catarina, responsável pela doação do óleo de cannabis utilizado na pesquisa.

Segundo a pesquisadora, o objetivo do estudo é avaliar os efeitos do uso do óleo de cannabis medicinal em mulheres com fibromialgia ao longo de seis meses de acompanhamento clínico. Durante esse período, as participantes serão submetidas a avaliações mensais presenciais, que incluem a aplicação de questionários e instrumentos científicos para análise de indicadores como dor, qualidade de vida e bem-estar geral. Também serão realizados exames laboratoriais no início e ao final do estudo.

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor crônica generalizada, fadiga e alterações do sono, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. Ainda não há uma explicação fisiopatológica definitiva para a doença, que é compreendida como resultado da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Por afetar predominantemente mulheres, o estudo é direcionado exclusivamente a esse público.

De acordo com Luiza Regina Voigt, muitas pacientes convivem com sintomas persistentes mesmo após diferentes abordagens terapêuticas. “Muitas pacientes já passaram por diversos tratamentos e ainda convivem com dor crônica e limitações no dia a dia. Algumas já possuem prescrição médica para o uso da cannabis medicinal, mas não conseguem acessar o tratamento devido ao alto custo. Oferecer o acompanhamento e a medicação gratuitamente dentro de um estudo científico representa também uma oportunidade de ampliar o acesso e produzir conhecimento seguro sobre essa abordagem”, destaca.

O recrutamento das voluntárias está em andamento. As participantes selecionadas receberão o tratamento gratuitamente durante seis meses, com acompanhamento clínico mensal realizado em Cascavel, incluindo a entrega da medicação e avaliações presenciais no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP). Podem participar mulheres cisgênero, com idade entre 18 e 60 anos, que possuam diagnóstico médico confirmado de fibromialgia, disponibilidade para consultas mensais em Cascavel e possibilidade de realizar exames de sangue no início e ao final da pesquisa. A seleção inclui ainda critérios clínicos que serão avaliados individualmente pela equipe responsável, visando garantir a segurança das participantes e a qualidade científica do estudo.

Além de avançar no conhecimento científico acerca da fibromialgia e de potenciais alternativas terapêuticas, a pesquisa busca contribuir para o debate sobre o uso medicinal da cannabis, ainda cercado por desinformação e preconceitos sociais. “Apesar de ainda existir resistência em relação à cannabis medicinal, pacientes com fibromialgia costumam estar abertas a novas possibilidades terapêuticas, especialmente quando o tratamento acontece com acompanhamento médico e dentro de um protocolo científico rigoroso”, afirma Luiza.

A análise dos resultados será realizada apenas após o término da coleta de dados, seguindo rigorosamente os critérios científicos estabelecidos.


Foto: Assessoria Unioeste/CGN