A ameaça de uma nova greve de caminhoneiros voltou ao radar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio à alta do diesel e à insatisfação com o valor dos fretes. Embora a paralisação ainda não tenha sido confirmada, lideranças da categoria afirmam que o movimento segue em “estado de alerta”.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que os motoristas aguardam a formalização das medidas anunciadas pelo governo antes de bater o martelo.
A decisão final será tomada em assembleia nacional marcada para esta quinta, 19, às 16h, em Santos, São Paulo.
Por que os caminhoneiros ameaçam parar?
O principal motivo da mobilização é a disparada no preço do diesel, pressionada pela instabilidade no Oriente Médio e seus impactos no petróleo.
A categoria também reclama do descumprimento da tabela mínima de frete — uma das principais garantias econômicas dos caminhoneiros.
Segundo lideranças, muitas empresas seguem pagando abaixo do piso obrigatório.
O que o governo propôs até agora?
O governo federal apresentou um pacote de medidas para tentar conter a paralisação: reforço na fiscalização da tabela de frete pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); possibilidade de barrar empresas infratoras de contratar transporte; proposta para que estados zerem o ICMS sobre o diesel; e compensação de 50% das perdas de arrecadação, estimadas em R$ 1,5 bilhão.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o governo pretende agir com mais rigor contra o descumprimento das regras.
O que falta para a greve ser confirmada?
Apesar das negociações, os caminhoneiros ainda consideram as medidas insuficientes — ao menos até que sejam detalhadas oficialmente.
“Vamos aguardar ser publicado no Diário Oficial para ver de que jeito será feito esse travamento”, disse Landim.
A assembleia desta quinta será decisiva para avaliar se as propostas atendem às demandas da categoria.
Quais seriam os impactos de uma paralisação?
Caso a greve seja confirmada, o país pode enfrentar efeitos semelhantes aos de 2018: desabastecimento de combustíveis, falta de produtos em supermercados, bloqueios em rodovias e aumento de preços.
Além dos impactos econômicos, uma paralisação prolongada pode gerar desgaste político relevante para o governo em ano pré-eleitoral.
O fantasma da greve de 2018
A ameaça de uma nova paralisação remete diretamente à crise de 2018, quando uma greve de dez dias paralisou o país, provocou desabastecimento generalizado e deixou efeitos duradouros na economia. Naquele episódio, a mobilização foi a maior da história da categoria e superou protestos anteriores, como os de 2015 e as paralisações regionais de 1979.
O estopim da greve de 2018 foi o aumento acelerado do preço do diesel. Entre julho de 2017, quando a Petrobras passou a adotar uma política de preços alinhada ao mercado internacional, e maio de 2018, o combustível subiu 56,5% nas refinarias, segundo cálculos do setor. O valor saltou de cerca de R$ 1,50 para R$ 2,34 por litro, sem considerar impostos.
Para os caminhoneiros, o impacto foi direto. O diesel representa uma fatia relevante dos custos da atividade, cerca de 42% do frete, e o aumento repentino tornou a operação economicamente inviável para muitos profissionais. Sem conseguir repassar esse custo para o valor cobrado pelo transporte, a categoria iniciou bloqueios em rodovias de todo o país a partir de 21 de maio de 2018.
Em poucos dias, os efeitos se espalharam. Postos ficaram sem combustível, supermercados registraram prateleiras vazias e aeroportos enfrentaram cancelamentos de voos por falta de querosene de aviação. Indústrias reduziram ou suspenderam atividades, e serviços básicos passaram a operar com restrições.
O impacto econômico foi significativo. A paralisação retirou 1,2 ponto porcentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018, segundo estimativas do Ministério da Fazenda à época. Setores produtivos acumularam prejuízos bilionários, e o governo foi pressionado a agir rapidamente.
Fonte: Veja
Caminhoneiros (Miguel Schincariol/Getty Images)

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