Fim da escala 6x1 causaria crise econômica semelhante a da pandemia, diz Fiep

Foto: Gabriel Rosa/Arquivo AEN

Entidades da indústria paranaense afirmam que, caso seja aprovada a redução da jornada de trabalho em escala 6×1, o impacto econômico na economia brasileira seria tão negativo quanto ao causado pela pandemia do coronavírus há seis anos.

Um estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a medida impactaria em 4% o PIB brasileiro já no primeiro ano após ser aprovada na Câmara. “Nosso estudo é muito claro no sentido de que a redução da jornada para 36 horas teria um impacto imediato já no primeiro ano, derrubando o PIB em 4%, seria praticamente uma pandemia. Ao longo de cinco anos, a redução chegaria a quase 5%”, afirmou o diretor e coordenador do Conselho Temático de Assuntos Tributários da Fiep, Guilherme Hakme, em entrevista ao programa Jovem Pan News, da rádio Jovem Pan.

Em outro levantamento, da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), a pesquisa indica que o comércio e as micro e pequenas empresas tendem a ser os setores mais impactados caso a escala 6×1 seja extinta no mercado de trabalho.

O diretor da Fiep também esclarece que a proposta, que começou a ser discutida nesta semana em Brasília, também acarretaria na queda de empregos formais no país. 

“Nós não somos contrários ao debate, mas o nosso posicionamento é claro: enquanto não resolvermos o problema crônico de produtividade, estagnada há quase trinta anos [no Brasil], somos contrários a essa medida. E quando falamos em desemprego, o estudo da Fiep afirma que pelo menos 1 milhão e meio de trabalhadores serão demitidos e migrarão para a informalidade”, revela Hakme. A Fiep já apresentou seu relatório aos deputados em Brasília.

De acordo com a proposta que tramita na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), a redução da jornada ocorreria de forma gradual. O limite semanal passaria primeiro para 42 horas em 2027 e, apenas em 2028, chegaria à meta de 40 horas de trabalho, já dentro do regime 5×2.

De acordo com o levantamento, a adoção de novos modelos de jornada, como o 5×2 ou o 4×3, pode gerar impactos desiguais no mercado formal do Paraná, afetando segmentos de maneiras diferentes.

Impacto do fim da escala 6×1 no agronegócio

O presidente do do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ágide Eduardo Meneguette, o setor do agronegócio paranaense seria um dos mais impactados pelo fim da escala 6×1.

“A agropecuária trabalha com muita sazonalidade. Sendo assim, essa escala iria prejudicar diretamente os produtores, acarretando no aumento do custo de produção. Sem dúvida nenhuma, essa conta vai estourar no aumento dos produtos nas gôndolas dos supermercados”, analisou.

Fonte: RICTV