Ibovespa cai 4% com guerra no Oriente Médio e dados do PIB do Brasil; dólar sobe a R$ 5,30

Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

O Ibovespa operava em forte queda nesta terça-feira (3), recuando 3,65% e atingindo 181.603 pontos por volta das 13h14. A bolsa, que chegou a cair mais de 4% no início da tarde, despenca acompanhando uma queda generalizada nos mercados globais, devido à escalada da guerra no Oriente Médio.

No mesmo horário, o dólar avançava 2,49%, cotado a R$ 5,2995.

Nesta terça, Israel e Irã trocaram novos bombardeios, e explosões foram ouvidas em diversos países do Oriente Médio. O número de mortos no Irã subiu para 787.

Ontem, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar qualquer navio que tente atravessar a rota. A notícia fez disparar os preços do petróleo e aumentou o receio de investidores com aplicações mais arriscadas.

Nesta terça, os preços do petróleo seguem em trajetória de alta. O barril Brent sobe mais que 8%, perto dos US$ 85. No início de 2026, custava US$ 60.

Os investidores temem que a guerra cause prejuízos na economia e elevação dos preços da energia, causando inflação e segurando os juros mais altos ao longo do ano. O movimento adotado é de vender ações e buscar proteção em ativos mais seguros, como o dólar.

"Nesse cenário, bolsas de outros países e também a brasileira registram perdas. No Brasil, os efeitos atingem principalmente ações de bancos, e investidores estrangeiros estão retirando dinheiro do mercado", afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

"O pano de fundo é um mercado que passa a se preparar para um conflito mais longo, riscos fiscais crescentes e potencial instabilidade regional mais ampla, aumentando a volatilidade e reduzindo o apetite por investimentos mais arriscados."

No Brasil, o destaque fica por conta da divulgação do PIB de 2025, divulgado pelo IBGE. A economia brasileira cresceu 2,3% no ano passado, menor alta em cinco anos. O dado também representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%.

Também nesta terça foram divulgados os dados de criação de empregos formais no Brasil em janeiro, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com o ministério do Trabalho e Emprego, o país abriu 112.334 vagas formais de trabalho no início do ano.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

Acumulado da semana: +0,62%;

Acumulado do mês: +0,62%;

Acumulado do ano: -5,88%.

📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,28%;

Acumulado do mês: +0,28%;

Acumulado do ano: +17,49%.

Petróleo em disparada

Os preços do petróleo continuam em forte alta nos mercados internacionais depois que o Irã declarou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou atacar qualquer navio que tentasse cruzar a rota. Nesta manhã, o barril do petróleo tipo Brent subia quase 7%, cotado acima de US$ 82.

A região é estratégica para o comércio global de energia, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, o que aumentou o temor de desabastecimento e disparou os preços da commodity.

A alta já vinha sendo impulsionada pela intensificação da guerra no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que também atingiram instalações do setor de energia.

Com isso, países da região interromperam preventivamente a produção de petróleo e gás, como Catar, Arábia Saudita e Israel, agravando as preocupações com a oferta global.

Além do petróleo, o fornecimento de gás natural também foi afetado, reforçando a pressão sobre os preços da energia. O avanço do conflito elevou a percepção de risco nos mercados financeiros, que passaram a monitorar possíveis impactos sobre a inflação e o crescimento econômico mundial.

A forte alta do petróleo beneficia as empresas do setor porque elas vendem a commodity a preços internacionais. Quando o barril sobe, a receita dessas companhias tende a aumentar, o que melhora a perspectiva de lucro e impulsiona suas ações na bolsa.

Nem mesmo a disparada do petróleo tem conseguido sustentar as ações do setor. Apesar da forte alta da commodity, os papéis da Petrobras — que subiram mais de 4% na véspera — avançam pouco nesta terça-feira, figurando entre as poucas altas da bolsa brasileira.

“É um momento de grande cautela. O cenário internacional concentra muitos riscos e, sobretudo, falta clareza sobre os próximos passos do conflito. O investidor prefere ambientes mais previsíveis, e hoje o mercado opera sob forte incerteza”, afirma Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.

PIB brasileiro

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE, desacelerando frente aos 3,4% de 2024 e registrando o menor avanço em cinco anos.

Ainda assim, foi o quinto ano seguido de crescimento da economia. No quarto trimestre, a alta foi de apenas 0,1%, indicando estagnação no fim do ano. O principal motor do crescimento foi a agropecuária, que avançou 11,7%, impulsionada por safras recordes de milho e soja.

O setor de serviços cresceu 1,8%, mesmo com juros elevados, enquanto a indústria teve alta modesta de 1,4%, sustentada pelas indústrias extrativas (óleo e gás).

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3%, desacelerando em relação a 2024 por causa dos juros altos e do endividamento.

Os investimentos do governo cresceram 2,9%, apoiados pela importação de bens de capital e pela construção. Exportações avançaram 6,2%, e importações, 4,5%.

Embora a economia brasileira tenha começado o ano em ritmo mais forte, para muitos brasileiros, a sensação foi de que o dinheiro continuou curto no final do mês. Entenda por que o brasileiro não percebe a melhora da economia.

Mercados globais

Em Wall Street, os índices das bolsas americanas operam no vermelho antes da abertura do mercado, após a intensificação da guerra no Oriente Médio aumentar a preocupação dos investidores com os efeitos do petróleo mais caro sobre a atividade econômica e a inflação.

Por volta das 7h (horário de Brasília), o futuro do Dow Jones caía cerca de 815 pontos, o equivalente a 1,7%.

O S&P 500 recuava aproximadamente 120 pontos, também com perda de 1,7%, enquanto o Nasdaq 100 liderava as quedas, com baixa de cerca de 570 pontos, ou 2,3%, pressionado pela maior exposição das empresas de tecnologia ao cenário de maior aversão ao risco.

Os mercados europeus caíram forte nesta terça, também pressionados pela alta do petróleo e do gás causada pela guerra, o que elevou o temor de que o conflito prolongado encareça combustíveis, transporte e produtos em geral, prejudicando a economia

Com a energia mais cara, investidores ficaram mais cautelosos e venderam ações. Pela manhã, as principais bolsas da Europa operavam em queda: Paris recuava 2,15%, Frankfurt caía 2,78%, Londres perdia 2,02%, Milão tinha baixa de 3,21% e Madri caía 3,56%.

Já as bolsas da Ásia fecharam em queda nesta terça-feira, diante do agravamento da guerra no Oriente Médio, que aumentou a aversão ao risco entre os investidores.

Na China, o índice de Xangai recuou 1,43%, aos 4.122 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, para 4.655 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,12% e terminou o dia em 25.768 pontos.

No Japão, o Nikkei despencou 3,1%, aos 56.279 pontos, e na Coreia do Sul o Kospi teve queda acentuada de 7,24%, fechando em 5.791 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 2,20%, para 34.323 pontos, enquanto na Austrália o S&P/ASX 200 caiu 1,34%, aos 9.077 pontos.

A única exceção foi Cingapura, onde o Straits Times subiu 0,53%, para 4.916 pontos.

Fonte: G1