Fim da escala 6x1 pode gerar impacto de R$ 19,5 bilhões no Paraná, estima CNI

Foto: Reprodução/Sesi – Portal da Indústria

Em tramitação no Congresso Nacional, a proposta de reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode gerar impacto bilionário no Paraná e elevar os custos no setor industrial em todo o país. É o que aponta estudo divulgado nesta sexta-feira (27) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A entidade projeta aumento de até R$ 267,2 bilhões por ano na folha de pagamento das empresas em todo o país com o fim da escala 6×1, alta estimada de até 7%.

No recorte estadual, o Paraná aparece como o terceiro mais afetado pela mudança no regime de trabalho em que o funcionário trabalha seis dias consecutivos e descansa um. A CNI estima aumento de R$ 19,58 bilhões nos custos, considerando o contingente de 3,72 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Estado.

O impacto paranaense só não é maior que o aumento nos custos projetado em São Paulo (R$ 95,83 bilhões) e em Minas Gerais (R$ 25,55 bilhões). Na sequência, aparecem Rio de Janeiro (R$ 17,96 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 17,67 bilhões) e Santa Catarina (R$ 17,13 bilhões).

Ainda segundo o estudo da CNI, a Região Sul deve registrar o maior impacto percentual sobre a indústria, com elevação de custos que pode chegar a 8,1%. Já o Sudeste concentra o maior impacto absoluto, estimado em até R$ 143,8 bilhões.

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Efeitos da escala 6×1 sobre a indústria nacional

O levantamento nacional da CNI aponta que a redução da jornada elevaria em cerca de 10% o valor da hora trabalhada regular para trabalhadores com contratos acima de 40 horas semanais.

“Caso as horas reduzidas não sejam repostas, a redução do limite semanal resultará em queda da atividade econômica”, destaca a entidade.

A CNI avalia que a recomposição integral das horas seria “economicamente improvável e operacionalmente inviável” em grande parte da indústria, incluindo os setores extrativo, de transformação, construção e serviços industriais de utilidade pública.

Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, o impacto tende a se espalhar pelas cadeias produtivas, pressionando preços e afetando a competitividade.

“Estamos falando de um aumento de custos muito expressivo. Quando o custo do trabalho sobe dessa forma, o impacto não fica restrito a um setor ou a uma região. Ele se espalha ao longo das cadeias produtivas, encarece insumos, pressiona preços e afeta a competitividade do país”, observa o executivo. 

Ainda conforme a CNI, as projeções buscam contribuir para o debate sobre a proposta ao indicar possíveis efeitos econômicos, produtivos e regionais da mudança na jornada de trabalho e alteração na escala 6×1.

Fonte: RICTV