Uma cena revoltante marcou o fim de um julgamento no Fórum de Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, nesta quinta-feira (22). Após ser condenado por um ataque brutal com 54 facadas contra a madrasta, o réu M.V.R., de 28 anos, deixou o local pela porta da frente — em liberdade. As informações são da Rádio Cidade, de Itapema.
A vítima, Roselinda de Aparecida de Camargo, de 57 anos, saiu do julgamento com a sensação de injustiça. Ela viu o homem que quase tirou sua vida caminhar livremente após decisão apertada do júri, que o condenou a 1 ano, 9 meses e 20 dias de prisão por lesão corporal no contexto de violência doméstica. O tempo já havia sido cumprido durante a prisão preventiva, iniciada em março de 2024, o que garantiu a soltura imediata.
Crime violento
O ataque aconteceu dentro da casa da família, no bairro Sertão do Trombudo, em Itapema. Roselinda saía para o trabalho quando foi surpreendida por trás e esfaqueada repetidamente pelo enteado. As facadas atingiram o braço, pernas, pescoço, costas, barriga, fígado e pulmão. Ela chegou a perder os sentidos e ficou caída em uma poça de sangue até a chegada do SAMU e da Polícia Militar.
“Foi um filme de terror. Ele tampou minha boca e me esfaqueou como se estivesse possuído”, contou Roselinda à Rádio Cidade, que teve acesso exclusivo ao julgamento. A Polícia Civil, na época, chegou a suspeitar que o agressor estivesse sob efeito de drogas, hipótese que não se confirmou.
Defesa alegou surto
A defesa de M.V.R. alegou que ele estava em surto psicótico e apresentou laudo pericial que apontava transtornos mentais desde a infância. A versão foi sustentada por uma tia do réu, que também testemunhou. Ele mesmo afirmou, durante o júri, que achava estar “vivendo um sonho” no momento do ataque.
Apesar da brutalidade e da gravidade das sequelas físicas e psicológicas da vítima, o júri não acatou a denúncia por tentativa de feminicídio, como queria o Ministério Público. A tese aceita foi de lesão corporal grave com base em violência doméstica, o que gerou indignação.
Vítima teme novo ataque
As sequelas no corpo de Roselinda são irreversíveis. Ela perdeu parte da mobilidade de dois dedos da mão esquerda e ainda precisa de fisioterapia. Mas, para ela, o medo vai além das cicatrizes.
“Ele quase me matou, não mostrou arrependimento e agora vai morar com a tia, a apenas 500 metros da minha casa. Como posso me sentir segura?”, questiona. O réu já havia descumprido uma medida protetiva em 2023, quando também chegou a ser preso.
Durante o julgamento, foram ouvidas três testemunhas de acusação, além da vítima: um policial militar, a irmã do réu e o cunhado dela — que acionou a polícia no dia do crime. O julgamento teve início pela manhã e só terminou no início da noite, com o réu deixando o local em liberdade.
Segundo a Polícia Militar, a faca usada no crime foi apreendida e enviada à Polícia Científica para perícia. O caso tramita em segredo de Justiça.
Fonte: Jornal Razão
Foto: Jornal Razão

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