Estado reforça importância do cadastro obrigatório para segurança de visitantes em UCs

Foto: Letícia Câmara/IAT

O episódio recente do jovem de 20 anos que ficou cinco dias desaparecido no Parque Estadual Pico Paraná, localizado nos municípios de Campina Grande do Sul e Antonina, entre os dias 1 e 5 de janeiro, reforçou a importância do preenchimento do cadastro de visitantes para garantir a segurança dos frequentadores dos parques estaduais do Paraná.

O sistema, que é aplicado de forma obrigatória na entrada dos locais pelo Instituto Água e Terra (IAT), órgão gestor das Unidades de Conservação (UCs) paranaenses, é essencial para fornecer informações que ajudam a controlar a quantidade de frequentadores dos espaços – ele e os companheiros de trilha acessaram o local por uma entrada secundária, quando o parque já estava fechado, sem o preenchimento do cadastro obrigatório.

O cadastro obriga que os visitantes se dirijam presencialmente às bases do Instituto localizadas nas entradas dos parques e forneçam uma série de informações aos funcionários do órgão ambiental, incluindo dados pessoais, telefone de contato, contatos de emergência e horário de início do passeio. Depois, na saída do local, os precisam retornar à base para “fechar” a ficha, concluindo assim o processo.

“O cadastro deve ser feito tanto na entrada quanto na saída dos parques para garantir a segurança dos visitantes, já que é com dele que conseguimos saber quando as pessoas entraram no parque. Além disso, a partir da baixa do cadastro na saída, e do tempo médio de conclusão das trilhas que conhecemos, podemos saber se a pessoa já saiu da UC ou se é necessário acionar algum órgão de resgate”, explica o gerente de Áreas Protegidas da Diretoria de Patrimônio Natural do IAT, Jean Alex dos Santos.

Ele acrescenta que, além dos benefícios na segurança, o processo ajuda na administração dos espaços. “Com o cadastro, podemos mensurar a quantidade de visitantes nos parques e assim direcionar aportes de recurso mais precisos para as UCs. Assim, conseguimos aprimorar os espaços para proporcionar a melhor experiência possível para a população”, destaca o gerente.

O não cumprimento da medida pode dificultar ações de resposta em casos de emergência, além de punições aos visitantes que desrespeitam as regras. Seguindo os critérios do decreto federal 6.514/2008, adotar condutas em desacordo com os regulamentos e orientações da UC pode resultar em multas que vão de R$ 500 a R$ 10 mil.

UCs MONTANHOSAS – O cadastro é ainda mais importante em UCs montanhosas. Nesses parques, por causa do risco maior presente na região, os visitantes recebem uma série de orientações no momento do cadastro por meio de um termo de ciência de risco.

No Parque Estadual Pico Paraná, por exemplo, os usuários precisam fornecer informações como contato de emergência, dados relacionados à saúde e preparo físico, se têm experiência em ambientes montanhosos, além da indicação de equipamentos de segurança, como lanternas, apitos e pilhas.

Os funcionários do IAT fornecem também todas as instruções necessárias para entrar no parque, como estar com vestimentas adequadas, água e alimentação suficientes, e recomendações sobre não entrar sozinho na UC – o indicado é um grupo de no mínimo três pessoas. Para quem não possui experiência ou não conhece o parque, também é recomendada a contratação de guias ou condutores especializados, ou a realização das trilhas junto de alguém que conheça o local e já tenha feito o trecho anteriormente.

“Quando os visitantes são informados dos riscos logo na entrada, eles fazem a trilha com uma atenção redobrada, algo que diminui a chance de incidentes”, destaca o gerente.

TRAJETO SECUNDÁRIO – O IAT reforça ainda que a área percorrida pelo jovem para chegar em Antonina e se salvar tem acesso proibido. O trajeto não faz parte da área de uso público do parque, conforme Plano Emergencial de Uso Público publicado em agosto de 2025.

“Esse trajeto é extremamente perigoso devido ao terreno íngreme, possibilidade de cabeças d´água, mata fechada e difícil comunicação, colocando em risco o visitante, voluntários e equipes de resgate caso seja necessário realizar buscas e atendimento na área”, explica a chefe do Parque Estadual Pico Paraná, Marina Rampim. “Estamos trabalhando para melhorar a sinalização do parque e restringir acessos secundários não permitidos”.

Fonte: AEN