Ao sair do hospital, nesta segunda-feira (6), Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, agradeceu a todos os bombeiros e voluntários que se esforçaram para localizá-lo no período em que esteve perdido no Pico Paraná.
"Queria agradecer as pessoas que participaram, as pessoas que oraram por mim, pessoas que apoiaram, a comunidade, o Brasil inteiro. Eu não tinha noção, quando eu cheguei aqui que fui ter essa consciência. [...] Foram momentos de bastante frustração, luta, coragem, oração, fiz muita oração para Deus, ajuda para conseguir chegar no destino. E eu só tenho a agradecer a todos", afirmou.
Roberto ficou internado em Antonina, no litoral do Paraná e recebeu alta hospitalar após responder bem ao tratamento oferecido. Conforme a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), ele vai continuar a recuperação em casa.
Na saída do hospital, ele disse ainda que pretende conversar com a amiga que o deixou para trás durante a trilha.
O jovem desapareceu no dia 1º de janeiro, quando descia a trilha que leva até o Pico Paraná – ponto mais alto do Sul do Brasil e que tem um histórico de desaparecimentos e resgates.
Perdido, o jovem andou cerca de 20 quilômetros até chegar a uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, nesta segunda-feira (5). No local, ele pediu um celular emprestado, ligou para a irmã e comunicou que estava vivo.
Depois de encontrar ajuda, uma equipe do Corpo de Bombeiros se deslocou até o local onde o jovem estava e o levou para o hospital de Antonina, onde ele fez exames médicos e passou por procedimentos para reidratação.
Conforme os profissionais de saúde que o atenderam, Roberto estava lúcido, comunicativo, sem lesões graves, e com escoriações.
No período de buscas, foram mais de 100 bombeiros e 300 voluntários mobilizados, com recursos como câmeras térmicas, drones e rapel. Roberto conta que, no primeiro dia perdido, ouviu um helicóptero e soube que procuravam por ele, mas depois, sem sinais, achou que haviam desistido.
"No terceiro dia eu falei: 'Pô, eles podem ter cancelado as buscas, mas Deus está comigo e eu vou seguir esse destino aqui, esse caminho que ele me deu, caminho das pedras'", afirmou.
"Eu pensei que era o fim, que eu já tinha talvez morrido. Alucinei em um momento assim. Mas eu pedi forças para Deus. Pedi forças para minha mãe, pensei em toda a minha família. Eu falei: 'Pô, eu quero chegar em casa bem e saudável. Só peço por proteção para isso'", relembrou Roberto.
Enquanto andava sozinho pela mata, chegou a pensar que jamais seria encontrado.
Roberto disse que pretende conversar com amiga que o deixou para trás na trilha
Na saída do hospital, Roberto afirmou também que pretende conversar com a amiga que o deixou para trás na trilha.
"Eu só vou ter o mínimo de conversa ali, trocar o mínimo de ideia. Mas agora não tenho nada para comentar, não sei como vai ser ao certo", afirmou.
Roberto já faz planos para o que quer fazer agora que recebeu a alta. Entre eles, uma boa refeição, uma vez que passou cinco dias sem se alimentar direito.
"Quando eu estava lá no meio da mata, escorria o suor em mim, caia gota de sal na boca e eu pensava em picanha", afirma.
Porém, antes de cumprir o desejo, o rapaz precisa passar por uma dieta especial.
"Agora eu tenho que fazer uma hidratação, dar uma equilibrada na dieta, por conta desses dias que passei", explica.
Segundo a Polícia Civil (PC-PR), Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga. Segundo relatos, ele se sentiu mal durante a subida.
Após descansarem e encontrarem outros dois grupos no cume, a dupla iniciou a descida com um dos grupos por volta das 6h30. Em um ponto anterior ao acampamento, o rapaz se separou do grupo. Momentos depois, conforme os bombeiros, o segundo grupo iniciou a descida, passou pelo ponto onde a vítima tinha ficado, mas não encontrou com ele.
O analista jurídico Fabio Sieg Martins estava em um dos grupos de montanhistas que encontrou Roberto e a amiga na trilha. Ele conta que acionou os bombeiros ao chegar ao acampamento que fica na base do morro e perceber que o rapaz não tinha mais sido visto.
"Quando a gente chegou no acampamento A1, venceu o 'grampos' e tudo mais, tava a menina na barraca. Aí eu pergunto para ela: 'Cadê o Roberto?' e ela não sabia do Roberto. Aí bateu o desespero, eu falei 'o guri deve ter se desorientado lá no [acampamento] A2, tá perdido lá em cima. [...] Aí nós voltamos. No primeiro ponto que dá sinal de celular, eu faço uma ligação para o Corpo de Bombeiros e situo o bombeiro da posição e das referências que nós tínhamos ali", conta Martins.
No sábado (3), a Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento após a abertura de um Boletim de Ocorrência pela família do rapaz, que mora em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
O delegado Glaison Lima Rodrigues colheu depoimento da jovem que acompanhava Roberto na trilha, além de outros montanhistas que o encontraram no caminho e familiares dele. Na ocasião, a polícia afirmou que não havia indício de crime e o caso era tratado como desaparecimento.
Fonte: G1
Foto: RPC

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