A mulher apontada como principal suspeita de matar o personal trainer Guilherme Montani, de 34 anos, foi presa. Segundo a defesa, Juliana Ferraz, de 31, foi detida no Paraná. A advogada de Juliana, Fátima Cristina Ferreira, afirmou que a cliente iria prestar depoimento na delegacia em Itajaí nesta segunda-feira (5), mas acabou detida antes da apresentação espontânea.
De acordo com a Polícia Civil, Juliana foi presa na madrugada desta segunda, em Campo Mourão. Segundo nota, o delegado Roney Péricles, da Delegacia de Homicídios de Itajaí, pediu a prisão temporária de Juliana.
Diversas diligências foram realizadas para encontrar Juliana e informações apontaram que a foragida estava no Paraná. Autoridades foram notificadas do mandado e a mulher foi localizada em um local público por policiais militares. Em seguida, foi levada para o presídio.
O inquérito da Polícia Civil indica que Juliana é a autora do homicídio. Em entrevista à NDTV RECORD, Roney confirmou que a investigação já possui elementos robustos que apontam a autoria.
“Temos a autoria bem definida. Agora estamos avaliando as circunstâncias do fato para concluir o inquérito de forma robusta”, afirmou em entrevista.
De acordo com a Polícia Civil, Juliana foi presa na madrugada desta segunda, em Campo Mourão
De acordo com o delegado, todas as evidências colhidas até o momento apontam Juliana como responsável pelos disparos que mataram Guilherme. A suspeita teria aguardado por cerca de 40 minutos nas proximidades da academia e, disfarçada com uma peruca loira, surpreendeu o ex-companheiro com diversos tiros.
“Estamos angariando novos elementos informativos e documentos que vão demonstrar a real motivação e se houve planejamento”, explicou.
A motivação, segundo a Polícia Civil, pode ter viés passional, uma vez que Guilherme havia anunciado recentemente o noivado com outra mulher, o que pode ter provocado a reação da ex-companheira.
Defesa nega autoria do homicídio
A defesa alega que Juliana não tinha motivo para matar o ex-marido e que vivia sob forte abalo psicológico e emocional após anos de um relacionamento marcado por agressões, ameaças e dependência emocional.
Segundo a advogada, no dia da morte de Guilherme, Juliana havia trabalhado normalmente e estava em casa quando recebeu mensagens informando que estava sendo acusada do crime. Assustada, deixou a cidade por medo de represálias, e não por fuga da polícia.
“Ela recebeu uma mensagem dizendo que estavam acusando ela, dizendo para tomar cuidado com familiares e amigos. Por medo, ela saiu. Ela não está fugindo, ela está se protegendo”, afirmou a advogada.
A defesa também destaca que existe documentação psicológica comprovando que Juliana buscou ajuda para encerrar o relacionamento.
“Dizem que ela não aceitava o fim. É o contrário. Quem procurou ajuda para sair do relacionamento foi ela. Isso está nos laudos da psicóloga. Ela vivia um relacionamento abusivo e tóxico”, explicou.
Histórico de agressões e ameaças
A advogada aponta como crucial o fato de Juliana ter sido vítima de agressões físicas de Guilherme, incluindo uma facada que atingiu seu braço quando tentou se defender. Além disso, a ex-esposa possuía medida protetiva da Lei Maria da Penha, que posteriormente foi retirada pela Justiça de Santa Catarina, deixando-a desamparada.
Juliana relatava viver sob ameaças constantes, muitas delas feitas pessoalmente, quando cruzavam em deslocamentos para o trabalho. Segundo a defesa, Guilherme dizia que, se perdesse direitos sobre o apartamento por causa da medida protetiva, “ela não viveria para usufruir”. A advogada destaca que foi esse medo que teria levado Juliana a abandonar o imóvel e a cidade pouco depois.
Disputa por bens e pressão psicológica
A separação também teria sido marcada por conflitos patrimoniais. O casal dividia um apartamento e um carro, e Juliana afirma que o ex-companheiro fez de tudo para prejudicá-la financeiramente.
“Ele fez ela sair do apartamento, que era pago pelos dois. Levou o carro e deixou ela sem nada. Não aceitava que ela tivesse direito aos bens do casal”, relatou a advogada.
A defesa reforça que Juliana vivia uma “dependência emocional profunda” e aceitava tudo em silêncio, até procurar ajuda psicológica. Atualmente, continua tomando medicamentos controlados por estar em pânico com o ocorrido e com a repercussão do caso.
Defesa questiona motivação atribuída pela polícia
Para a polícia, o crime teria motivação passional, ocorrido após Juliana supostamente não aceitar o término do relacionamento. Parte dessa suspeita se baseia no fato de que o personal trainer teria atualizado nas redes sociais o status de noivado com a atual companheira.
A advogada afirma que, na visão de Juliana, o homicídio poderia ter sido cometido por uma das amantes que Guilherme mantinha ao longo da relação, citando que ele teria iniciado um novo noivado rapidamente.
“Ele teve várias amantes. É possível que alguma delas não tenha aceitado o casamento. Mas não a Juliana, que procurou ajuda justamente para se afastar”, afirmou.
A advogada declarou ainda que Juliana não permanecerá oculta e pretende se apresentar às autoridades. “Ela está aguardando minha chegada em Itajaí. Não há fuga. Ela vai se apresentar e prestar sua versão”, ressaltou.
Como ocorreu o crime
Por volta das 20h do dia 18 de novembro, Guilherme foi surpreendido na praça dos Correios ao sair da academia onde trabalhava. A ex-mulher teria permanecido no local à espera do personal trainer.
Ela teria efetuado diversos disparos contra Guilherme e fugido a pé do local. Em seguida, pode ter chamado um veículo de transporte por aplicativo. Policiais militares realizaram buscas, mas a suspeita não foi localizada naquele momento.
Fonte: ND+
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