O jornalista Mino Carta, fundador e diretor de redação da revista CartaCapital, morreu nesta terça-feira, 2 de setembro, em São Paulo, aos 91 anos. Ele estava internado há duas semanas na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Sírio-Libanês e, conforme familiares, enfrentava problemas de saúde há cerca de um ano.
Italiano de nascimento, Mino se transformou em um dos personagens centrais da imprensa brasileira. Ao longo da carreira, foi responsável por criações que marcaram época. Em 1960, idealizou Quatro Rodas. Seis anos depois, participou da fundação do Jornal da Tarde. Em seguida, em 1968, ajudou a lançar a revista Veja.
Já em 1976, esteve à frente de IstoÉ. Finalmente, em 1994, criou a CartaCapital, publicação que se tornou referência por sua linha editorial crítica e independente.
Uma vida dedicada ao jornalismo
Ao longo de seis décadas, sua trajetória se confundiu com a própria história do jornalismo no país. De fato, Mino sempre defendeu um jornalismo comprometido com a verdade factual e atento à fiscalização dos poderosos. Por isso, foi perseguido durante a ditadura militar, além de ter enfrentado pressões de empresários e de diferentes governos. Ainda assim, manteve-se fiel ao espírito contestador que o acompanhou até o fim da vida.
Dono de frases cortantes, Mino não escondia seu desencanto com os rumos do Brasil e com o impacto da tecnologia sobre a profissão. Costumava afirmar: “Um dia, os computadores vão engolir as pessoas.”
Nascido em Gênova, em 1932, chegou ao Brasil ainda jovem, acompanhando a família que fugia do fascismo. Desde cedo, encontrou no jornalismo o espaço para se expressar. Com o tempo, construiu uma carreira marcada pela ousadia editorial, pela inovação e pela crítica implacável aos poderosos.
Mino Carta deixa como legado um modelo de jornalismo que uniu coragem, inteligência e inconformismo, influenciando gerações de repórteres, editores e leitores.
Fonte: O Fuxico

July
Reprodução

0 Comentários