A Rússia lançou contra a Ucrânia um número recorde de 728 drones durante a madrugada, poucas horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, prometer o envio de mais armas defensivas a Kyiv e fazer críticas incomuns ao presidente russo Vladimir Putin.
O ataque marca mais um episódio na série de ofensivas aéreas em escala crescente nas últimas semanas, que combinam centenas de drones com mísseis balísticos, colocando à prova as defesas aéreas ucranianas em um momento crítico da guerra, que já dura quatro anos.
As forças armadas da Ucrânia derrubaram quase todos os drones, segundo o porta-voz da força aérea, Yurii Ihnat, mas parte dos seis mísseis hipersônicos lançados causaram danos não especificados.
O presidente Volodymyr Zelenskiy, que se reunirá com o enviado dos EUA, Keith Kellogg, em Roma nesta quarta-feira (09), afirmou que o ataque comprova a necessidade de "sanções duras" contra as fontes de financiamento da guerra russa, incluindo quem compra petróleo russo.
Trump disse, na terça-feira (08), que considera apoiar um projeto de lei que prevê sanções severas à Rússia, como tarifas de 500% a países que comprarem petróleo, gás, urânio e outros produtos russos.
“Recebemos muita besteira do Putin… Ele é sempre muito simpático, mas no fim não significa nada”, declarou Trump em reunião de gabinete.
Questionado sobre qual atitude tomaria contra Putin, respondeu: “Não vou te contar. Queremos dar uma pequena surpresa.”
Europa também prepara novo pacote de sanções contra Moscou.
Trump, que voltou ao poder neste ano prometendo encerrar rapidamente a guerra na Ucrânia, vinha adotando uma postura mais conciliadora em relação a Moscou, contrastando com o apoio firme que o governo Biden deu a Kyiv. No entanto, conversas iniciais entre Rússia e Ucrânia para encerrar a invasão iniciada em fevereiro de 2022 ainda não produziram resultados, já que Moscou não aceitou o cessar-fogo incondicional proposto por Trump e aceito pela Ucrânia.
A promessa de Trump de fornecer mais armas reverte uma decisão recente do Pentágono que havia suspenso o envio de munições críticas, mesmo diante do aumento dos ataques russos, que causaram dezenas de mortes nas últimas semanas.
Polônia envia caças após ataques próximos à fronteira
Moradores de Kyiv e de outras grandes cidades passaram a noite em abrigos antiaéreos, como estações de metrô.
Parte do ataque russo atingiu a região oeste da Ucrânia, perto da fronteira com a Polônia, país membro da OTAN. A cidade de Lutsk, a cerca de 200 km da fronteira polonesa, foi o principal alvo, segundo Zelenskiy, que também relatou danos em 10 outras províncias.
A força aérea da Polônia e de países aliados foi ativada para garantir a segurança do espaço aéreo, informou o exército polonês.
Em Lutsk, prédios foram danificados, mas não houve relatos de mortos ou feridos. Autoridades locais classificaram o episódio como o maior ataque aéreo da guerra contra a cidade, que tem 200 mil habitantes.
Um depósito de uma empresa local e estruturas de estacionamento foram atingidos e pegaram fogo, segundo o prefeito Ihor Polishchuk.
O governador da região de Volyn, Ivan Rudnytskyi, disse que 50 drones russos e cinco mísseis sobrevoaram a região durante a noite.
Fonte: REUTERS

July
REUTERS/Alina Smutko

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