Caminhoneiros enfrentam nevasca na travessia Chile-Argentina; dezenas ainda estão presos na estrada

Rogerio Ferri / Especial / CP

Centenas de caminhoneiros brasileiros, incluindo vários gaúchos, estão presos na estrada na divisa entre o Chile e a Argentina em razão de uma intensa nevasca, que é agravada pela altitude e por temperaturas que chegam a 17 graus negativos. Além de vários estarem há mais de uma semana, muitos deles enfrentam dificuldades para comunicação com familiares no Brasil.

Conforme relatos, em alguns casos, até o combustível congelou. Alguns veículos foram cobertos pelo gelo e a neve tomou conta da rodovia em San Pedro de Atacama. Somente na quarta-feira (2), as autoridades locais conseguiram chegar aos motoristas e começaram a prestar assistência, mas ainda não há uma data certa para a liberação completa da passagem.

Entre os gaúchos que ficaram presos em meio a tempestades de neve, estão os irmãos Alexandre e Adriano Wentz, que seguiam de Uruguaiana, na Fronteira Oeste, para Antofagasta, no Chile. Na localidade de Paso de Jama, os motoristas estão abrigados em um posto de combustíveis. “Eu e meu irmão conseguimos descer segunda-feira lá da Cordilheira. Ficamos seis dias presos no temporal”, relata Alexandre.

Conforme o motorista, a situação afeta centenas de outros trabalhadores. “Tem mais ou menos uns 150 caminhões querendo cruzar para o lado do Chile. Está complicada a situação. É muito frio durante a noite”, completa.

As rodovias bloqueadas pelo governo chileno são a porta de entrada de produtos do Brasil. “Não seguia nada na nevasca. Tinha caminhão já atravessado na pista, tinha van de turistas, tinha brasileiros, argentinos e pessoas de vários países”, conta o caminhoneiro Vanderlei Bado.

“Conseguimos apenas sobrevoar um pouco e a condição climática está dificultando para encontrar caminhoneiros parados. Lamentamos, seguimos acompanhando de perto, dando apoio e esperamos ter condição favorável para seguir com as ações”, disse o comandante da polícia local.

“Tem que esperar para não passar perrengue lá em cima”, alerta caminhoneiro gaúcho.

Se a situação é complicada para quem continua preso no local, aqueles que já conseguiram escapar dos perigos da Cordilheira dos Andes também alertam a atenção que é necessária para evitar passar, novamente, pelo drama.

É o caso do caminhoneiro Rogério Ferri, que saiu de Osório e, no final de junho, também ficou trancado na tempestade. “Eu fiquei cinco dias preso lá em cima. Estava começando a nevasca e agora está pior, com tudo trancado lá em cima. Agora estou no Peru, mas pronto para voltar para casa. Vou passar por lá na semana que vem”, relata.

Segundo Ferri, o clima é extremo e exige muito dos profissionais. “O mais complicado é a falta de oxigênio, por conta da altitude”, conta.

O gaúcho explica ainda que não há muito o que ser feito, pois, para retornar ao Brasil, será necessário passar pela Cordilheira dos Andes. “O preparo é ficar ligado na previsão do tempo. Se tiver nevando, tem que esperar antes para não passar perrengue lá em cima”, conclui.

Fonte: Correio do Povo