Banco BTG apela contra liminar que protege a varejista Americanas dos credores

 Banco BTG apela contra liminar que protege a varejista Americanas dos credores

Foto: Internet

O banco BTG Pactual recorreu na Justiça contra uma liminar que protege a varejista Americanas dos credores, mostram documentos vistos pela Reuters.

Em recurso entregue no sábado (14), os advogados do banco argumentam que a liminar determina ilegalmente o estorno de um pagamento feito pela Americanas ao BTG.

Americanas obteve na sexta-feira (13) a liminar que a protege por 30 dias contra vencimento antecipado de dívidas, prazo que a varejista poderá usar para obter uma acordo com credores ou pedir uma recuperação judicial.

A decisão judicial determina ainda a interrupção da incidência de juros sobre as dívidas durante esse período e que qualquer valor recebido pelos credores por causa desse assunto seja devolvido à empresa.

O movimento ocorre após a varejista reportar na última quarta-feira (11), após o fechamento da bolsa, R$ 20 bilhões em “inconsistências” contábeis, chocando o mercado.

Americanas não respondeu pedidos de comentários. O BTG preferiu não comentar o tema.

Entenda o caso

As ações da Americanas despencaram na bolsa de valores na quinta-feira (12), depois que a empresa publicou comunicado em que diz que foram identificadas “inconsistências em lançamentos contábeis” no balanço, em valor que chega a R$ 20 bilhões.

O que significam as inconsistências? Em outras palavras, a Americanas percebeu que o valor bilionário — que é referente aos primeiros nove meses de 2022 e anos anteriores — não havia sido registrado de forma apropriada nos balanços corporativos da empresa.

Um levantamento de Einar Rivero, do TradeMap, mostra que essa foi a maior queda diária de uma empresa de capital aberto desde 2008.

Em valor de mercado, a empresa perdeu R$ 8,37 bilhões.

O texto informou que o presidente da companhia, Sergio Rial, deixou o cargo apenas 9 dias depois de assumir.

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O diretor financeiro da empresa, André Covre, também renunciou — ele havia tomado posse junto a Rial.

O documento divulgado pela companhia não traz muitos detalhes sobre o que de fato foi encontrado nas contas.

No entanto, o comunicado esclarece que a área contábil detectou “a existência de operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem (R$ 20 bilhões), nas quais a companhia é devedora perante instituições financeiras e que não se encontram adequadamente refletidas na conta de fornecedores nas demonstrações financeiras”.

Americanas disse que ainda não é possível determinar todos os impactos do rombo na demonstração de resultado e no balanço patrimonial da companhia.

Em contrapartida, a empresa afirmou estimar que “o efeito caixa dessas inconsistências seja imaterial”.

Fonte: G1

Beltrão Agora

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